Pontos eletrônicos em hospitais?

Doenças não esperam horário comercial para se manifestar. Apendicites, colecistites, in­fartos, graves acidentes acontecem também à noite, em finais de semana e nos feriados. Por este motivo, hospi­tais terciários e complexos funcionam com médicos em regime de plantão presencial com a cobertura de equipes de algumas especialidades em regime de plantão (sobreaviso). Este cuidado é fundamental, salva vidas.

Médicos emergencistas, que garantem a população atendimento de forma inin­terrupta, esporadicamente precisam de assistência especializada. Podem, por exemplo, necessitar de um neurocirur­gião para salvar um paciente que sofreu ruptura de aneurisma no domingo de madrugada. Financeiramente, a forma de se ter esta retaguarda é através de uma escala de sobreaviso. Estes espe­cialistas ficam de prontidão, com o de­ver de comparecerem em tempo hábil assim que convocados, vinte quatro horas por dia, sete dias por semana. É uma forma de trabalho, e como tal deve obviamente ser remunerada.

Alguns hospitais públicos acabam por se organizar através de cálculos de compensação de horas em regimes de sobreaviso. Em certos casos, a regra é excelente, permitindo a formação de serviços que garantem atendimento especializado e de qualidade à popu­lação. Infelizmente, nem sempre esse tipo de solução está prevista em con­trato, o que tem gerado reação dos ór­gãos fiscalizadores.

A saúde é uma área complexa e dinâ­mica, que demanda dos seus gestores soluções inteligentes e ágeis. É im­portante que se cobre boas práticas na gestão pública, que haja eficiência da administração, que se fiscalize, que se discuta. Diretores hospitalares devem sim se preocupar com metas de qua­lidade e produção. Entretanto, relações de trabalho não previstas em contrato, devem ser regularizadas e com anu­ência do Ministério Público que, ten­do por missão primordial a defesa dos interesses da sociedade, não se eximirá de apoiar alternativas garantidoras de atendimento médico de qualidade à população.

O Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina está atento a este ce­nário e atua firmemente na orientação dos Hospitais e demais órgãos públicos preocupados com a saúde da população do Estado. A saúde é o bem maior de todos nós e qualquer que seja a situa­ção é o ser humano, sempre, que deve estar no centro do debate.

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