Práticas ESG e a superação do falso dilema

O falso dilema entre economia e meio ambiente deve ser superado de vez no Brasil. Nada mais anacrônico do que esta beligerância entre quem quer produzir e quem se interessa em preservar. A virada de abordagem há muito já está em curso nas economias mais desenvolvidas, e é cada vez mais veloz. Se você ainda não ouviu, vai ouvir muito falar na sigla ESG.

ESG vem do inglês Enviromental, Social, Governance. Ambiental, Social, Governança. São fatores de uma matriz de responsabilidade socio-ambiental. E não é somente palavrório bem intencionado. Tratam-se de compromissos objetivos e auditáveis por agências internacionais.

Segundo estudo elaborado pela corretora XP, A relevância dos fatores ESG ao redor do mundo, mais de US$30 trilhões em ativos sob gestão (AuM, sigla em inglês para “Assets Under Management”) são gerenciados por fundos que definiram estratégias sustentáveis. Só na Europa são US$14,1 trilhões, equivalente a mais de 50% do AuM total do continente, enquanto nos Estados Unidos esse número já representa 25%.

Para quem ainda vê a preocupação com temas ambientais e sociais como coisa “de esquerda”, ou de “ecochatos”, ou ainda de ‘inimigos do desenvolvimento”, passe a saber: a agenda ESG é a grande agenda do capital. O processo é irreversível, notadamente porque já chega ao consumidor. Cidades que não se antecipem e liderem esse processo perderão o bonde da história.

Qual o caminho? Ousar, trazendo a agenda ESG para o centro da política econômica do Município. Não há mais espaço para jeitinhos que driblem o império da Lei, como também devem ser refutadas interpretações casuísticas e ideologizadas. Quando se traz luz e objetividade, perdem espaço tanto a selvageria do lucro a qualquer preço, quanto o sectarismo militante. Ambos em absoluto descompasso com os rumos do planeta.

Se há confronto, não é entre capital e meio ambiente, é entre quem quer lucrar ao arrepio da lei, e quem quer fazer impor sua militância ao arrepio da lei. Chega desse falso dilema, a grande agenda do capital hoje é ambiental. A proteção efetiva ao nosso patrimônio natural passa a ser ínsita à própria sobrevivência econômica. Ao trabalho, e ele começa nas cidades e seu licenciamento ambiental.

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