Rodrigo de Haro

Morreu o admirável artista plástico, poeta e humanista Rodrigo de Haro. O grande Mestre que nos deixou, teve em vida o reconhecimento da grandeza de sua obra.

O ilustre jornalista e pesquisador Moacir Pereira, que é um apaixonado divulgador da cultura e das tradições de Santa Catarina, deixou imortalizado na sua obra “Rodrigo de Haro um poeta humanista” a trajetória intelectual do estupendo mestre que nasceu em Paris com a alma catarinense.

O livro de Moacir é uma instigante biografia, sobretudo porque que ele tem a noção exata, na mesma linha verbalizada por Alberto Caieiro, o poeta Fernando Pessoa plantou limites diante do enorme desafio de escrever uma biografia: ”Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, /Não há nada mais simples, tem só duas datas – a da minha nascença e da minha morte./Entre uma e outra coisa todos os dias são meus”. O trabalho de Moacir Pereira é um ensaio magistral, mas o mundo civilizado sabe que a totalidade da rica experiência sentida e vivida pelo já saudoso biografado não cabem nas páginas de um compêndio.

André Gide dizia: “Se tivesse sabido coisas mais belas seriam essas que eu teria dito – essas, sem dúvida, e não outras”. Alforriar as imagens e derramá-las com a consciência de que tempo é sempre tempo e o espaço não é uma miragem virtual, mas o locus da existência real e metafísica de Rodrigo de Haro, que emerge da terra ,senhora dos silêncios, seu infinito balandrau iconográfico amalgamado com os valores eternos da tradição do espírito e de toda amplidão da paisagem física e humana da gente catarinense.

Rodrigo de Haro era um erudito, um sábio, um artista de muitos saberes. Neste admirável mundo rodriguiano, avultam-se o pintor e o poeta. Ora, o pintor é o que o circunda e o envolve: vida e universo. Não há como excluir o poeta, tendo em vista que a representação na pintura harmoniza-se com a convicção poética.

Homens como Rodrigo de Haro são obra do tempo. É preciso um trabalho secular , e por isso mesmo poucos acontecem.

Mas, o traço marcante e indelével de sua personalidade era o seu amor a Santa Catarina, seu encanto , sua fascinação pela sua terra que nunca deixou de reverenciar em tudo que pintou e escreveu.

A última vez que tive com Rodrigo foi em 2019, no seu recolhimento na Lagoa da Conceição. Rodrigo era uma convivência admirável, nele as palavras brotavam com a força de uma cachoeira de talento , da erudição e da sabedoria. Ele tinha o gosto da conversa: viva, brilhante e afetuosa.

O Brasil perdeu um pedaço de sua paisagem cultural , e Santa Catarina ficou menor com sua morte. Santo Agostinho dizia que não morremos, apenas mudamos de caminho.

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