Sobre a crise nacional

​Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria no último trimestre de 2020, 68% das indústrias passam por falta de insumos em razão da acelerada desvalorização do real.

O estudo aponta ainda que 44% das empresas estão com dificuldades de atender clientes por este fator e outros 23% por ausência de capital de giro. Os insumos estão ficando mais caros e aceleram processo inflacionário em meio a queda do PIB (estagflação), juntamente com desarranjos em preços administráveis (petróleo, eletricidade, etc.) e diferencial de rentabilidade do exterior.

​É certo que a taxa de câmbio como está aumenta a arrecadação pública com exportações de commodities, possibilita substituições de importações e mitiga a dívida pública convertida em moeda nacional.

Entretanto, pari passu, é necessária a utilização dos dispositivos de organização e financiamento para gerar compras pela indústria e pela população, assim como encaminhar mensagens que produzam estabilidade.

De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego no Brasil em 2020 foi de 13,5%, número que corresponde a 13,4 milhões de pessoas, maior da série iniciada em 2012.

A informalidade atingiu 38,7%, o equivalente a 33,3 milhões de pessoas, com 22,7 milhões que trabalham por conta própria e outros 30,6 milhões com carteira assinada. Mesmo com o Ministério da Cidadania indicando que até 2020 foram repassados R$ 288,7 bilhões para 67,9 milhões de brasileiros como auxílio emergencial, estamos longe do alcançado em 2013, com cerca de 50 milhões de postos com carteira ou estatutários e aumentos no poder de compra.

Neste cenário, com quedas em praticamente todos os setores, como o de química que prevê 80 mil demissões a partir de julho, temos empresas como a FORD e a SONY deixando o país e outras como a 3M reduzindo seu parque fabril, em movimento destruidor de cadeias produtivas, prova cabal das falhas do atual laissez-faire, que pode ter seu triunfo definitivo com a autonomia do Banco Central.

É preciso, como lembra a economista Alice Amsden, longe da ideia de que existem fórmulas mecânicas que levem ao desenvolvimento (one-size fits all), buscar caminhos de conciliação das virtudes do poder público e do mercado, considerando o papel da política no estímulo às decisões empresariais de entrada em novos setores, uma gestão macroeconômica mantenedora da atividade produtiva e a relação entre crescimento e expansão da produtividade.

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