UFSC: marcha retrógrada sobre agricultura

Uma espécie de nuvem medieval, carregada com o que há de mais retrógrado e preconceituoso em relação à visão moderna da agricultura, paira sobre a UFSC na forma de um curso de extensão que leva o bizarro título de “Reforma Agrária Popular, Agroecologia e Educação do Campo: alimentação e educação no enfrentamento ao agronegócio e às pandemias”.

Com certificado e tudo, o curso que se estende pelas próximas semanas faz piruetas ideológicas inexplicáveis ao tentar alinhar conceitos como “educação” e “alimentação” com a expressão “combate ao agronegócio”. Seria como anunciar: “Alimente-se sem precisar da agricultura”. Ou: “Viva sem precisar comer”.

É de se surpreender que, em um país onde pessoas simples por vezes enfrentem dificuldade para se nutrir e em um Estado que produz o que há de melhor para se alimentar, exista quem acredite na falácia que, sob emprego errado do termo “popular”, pregue uma visão elitista, de quem na verdade não trabalha para comer, mas tem condições de comer bastante para atrapalhar.

De costas para a evolução tecnológica nos modos de produção, parecem defender (para os outros) a cultura da baixa produtividade, à la Idade Média, como se fosse virtude ignorar os séculos de avanço da ciência. Não há espaço, não é mais tempo e não sobra paciência para aguentar práticas divisionistas.

Santa Catarina é um Estado que agrega. Tem uma agricultura altamente produtiva e pujante. “Enfrentar” o agronegócio é contrapor-se às cadeias produtivas que sustentam sua própria economia e respondem por um terço das riquezas do Estado, impulsionando também a geração de empregos na cidade.

Nosso Estado tem 183 mil propriedades rurais e mais de meio milhão de pessoas ocupadas diretamente com a atividade no campo. O setor do agronegócio superou marcos históricos em 2020, mesmo em meio à pandemia, e responde por 70% das exportações de Santa Catarina. Essas divisas fomentam atividades internas e ajudam outros setores, porque a economia não é estanque, ao contrário de quem defende – sem mal saber de que é disso que se trata – que a roda simplesmente pare de girar.

O agronegócio em Santa Catarina é sinônimo de geração de emprego, renda, movimentação da economia e crescimento direto e indireto em todos os demais setores envolvidos. Combatê-lo é tirar a chance de um futuro melhor para todos os que trabalham e produzem. Tratar do tema com o viés sugerido pelo curso, dentro de uma universidade renomada, é um desrespeito com cada um de nós.

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