Um ano sem Doutor Mário

O grande poeta e dramaturgo T.S.Eliot dizia que é abril é o mais cruel dos meses. Foi num dia de abril, há um ano, que Mário José Gonzaga Petrelli nos deixou. A saudade é a “asa de dor do pensamento” no feliz soneto de Da Costa e Silva.

Mário Petrelli deixou um oceano de saudades para seus amigos; ele compreendeu o sentido da amizade, pois viveu em permanente estado de amizade.

Mário foi um daqueles amigos que mudam a vida dos amigos. Por várias razões, a primeira delas, pela sua capacidade de agregação e pela sua ciência de compreender a arte de viver.

Em segundo lugar, pela dedicação, com que procurava estabelecer e desenvolver relações personalizadas, sempre com pitadas deliciosamente espirituosas. Por fim, Mário ensinava pelo exemplo, ensinava sendo. Tudo o que realizava tinha a mágica da perfeição. Com ele, muito aprendi.

Mário tinha um virtuoso senso de justiça, pois sabia que amizade e justiça caminham juntos. Aristóteles nos ensina que a justiça é uma virtude fundamental para o exercício das demais virtudes, uma vez que somos justos quando retribuímos uma ação virtuosa semelhante.

Ora, é de bom alvitre ressaltar que numa confraria de amigos não existe nenhuma necessidade da justiça, tendo em vista que ela é da essência dessas amizades. Numa comunidade de amigos, como é cristalino, a justiça emerge com a naturalidade de uma cachoeira.

Mário Petrelli cultivou e viveu a importância da justiça na família, na cidade e em qualquer lugar. Em Ética a Nicômaco há uma bela passagem: “a justiça e a amizade são a mesma coisa ou quase a mesma coisa”. Não há relação de amizade sem justiça. Mário Petrelli foi um semeador de amizade.

É com emoção e muitas saudades, que recordo a minha convivência e fraternal amizade com Mário Petrelli, pois me faz lembrar o momento em que Jesus, no Lago de Genesaré, convocou os seus discípulos a fim de se tornarem pescadores de homens.

Afirma-se que Deus ao criar os homens já sabia as obras que deveriam produzir. E contas lhes seriam cobradas, se negligentes ou omissos. O Dr. Mário Petrelli nunca se omitiu e sempre se fez presente como agente da bondade, da compaixão e da solidariedade. Foi um homem de Deus na terra, voltou à Casa do Pai e deixou um Brasil inteiro povoado de saudades.

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