Vamos falar sobre o futuro?

Em plena pandemia, falar sobre o futuro? Ora, estamos vivos, façamos valer a oportunidade. Evidentemente estamos em sofrimento, e como não estar ante um cenário tão doloroso? Mas o mundo é construído pelos que veem além, ocupam-se do que virá e trabalham para que o devir seja melhor para todos.

Os assim designados futuristas (em acepção diversa da que designa o movimento artístico) estão analisando dados e trocando informações no mundo inteiro, ligados por esta rede invisível que a tecnologia proporciona. Perguntas como “Quantos anos viveremos?” por exemplo, têm a atenção desses estudiosos. Ora, se a geração que está nascendo tem a perspectiva de ultrapassar os 100 anos, como ficará a aposentadoria? Ou, por um melhor viés, quantas carreiras profissionais poderão ter? Advogado até os 50, chef de cozinha até os 70, artista plástico até os 90… e depois, conferencista de sucesso?

Dados do IBGE dizem que a expectativa de vida no Brasil em 1910 era de 34,6 anos. Em 2000, 72,6 anos, mais do que o dobro. E os avanços na Medicina surpreendem a cada dia. Quem imaginaria, em 1910, que se poderia viver (e bem) com um órgão transplantado?

Entretanto, ciência sem humanidade é capenga. O futuro é coletivo, é solidário, porque não há alternativa; quem ainda não compreendeu isto deve se reprogramar para ter lugar no tempo que chegará.

Competências descobertas com o isolamento forçado não serão desaprendidas; fazer pão, bolo, apurar cuidados pessoais, estar atento à relação com a casa e a família, já conquistaram espaço em nosso mundo mental.

Se aprendemos com o passado – lugar de referência –, não façamos dele lugar de residência. Se a impermanência é a marca da vida, estejamos atentos às mudanças. Será o suficiente? Não sabemos. O poeta canta que “o futuro é uma astronave / que tentamos pilotar /…/ muda a nossa vida / e depois convida / a rir ou chorar”.

Pode ser. Porque choramos, mas continuamos construindo o país, porque alguém tem de fazê-lo. Como o velho que planta um carvalho que só fará sombra para seu neto. E está feliz com a ideia.

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