Voluntariado na Grécia

O ano de 2015 foi o auge da cri­se de migração para Europa, e a Grécia, foi um dos países mais atingidos. Se tornou estação de passa­gem ou abrigo para milhares de pesso­as em busca de asilo, principalmente quem fugia das guerras da Síria, Iraque e Afeganistão.

Em 2016, estive em Atenas para traba­lhar como voluntária com refugiados em campos das Nações Unidas, ocu­pações e em um dos locais onde são triadas e distribuídas doações prove­nientes da Europa. Três anos depois, vejo que pouco mudou em relação a condição de vida dessas pessoas. Além da crise migratória, a própria econo­mia do país ainda passa por uma re­cessão provocada pela alta dívida pú­blica. A Grécia ainda amarga a falta de crescimento do PIB, desemprego e pouca credibilidade no mercado inter­nacional.

Durante a minha estadia ficou claro que os refugiados vivem amontoa­dos em campos improvisados, prédios ocupados e sobrevivem de doações. A maioria deles não sabe o que será do futuro, não tem permissão para traba­lhar no país e o pedido para se legali­zar geralmente é negado. O acesso a saúde é precário e no rigoroso inver­no, tudo piora. Sem dúvida nenhuma, refugiados não são bem vindos pelos gregos. A maioria culpa os mesmos pela crise no país, por isso tudo fica ainda mais complicado.

Em Atenas a situação parece um pouco melhor, mas na ilha grega de Lesbos, por exemplo, a organização Médicos Sem Fronteiras divulgou em 2018, que até crianças tentam suicídio devido as condições as precárias e traumas en­frentados nos seus países de origem.

Trabalhei em duas ocupações, e graças ao trabalho de voluntários do mundo todo, foi possível ver que há uma certa organização nesses locais. Muitos deles vivem nesses locais e organizam a ro­tina dos moradores, tarefas, atividades de lazer e supervisionam essas regras. Mas, na maioria dos campos isso não ocorre. A superlotação e a falta de uma liderança gera violência entre grupos de diferentes culturas e religiões, cau­sando pânico na população e até mor­tes. Sensação de impotência, tristeza e esperança, foram alguns dos senti­mentos que tive aos ver de perto a vida de pessoas que foram obrigadas a fugir dos seus países para salvarem suas vi­das. Mas, durante as atividades com as famílias, em especial com as crianças, também fui feliz, ao arrancar sorrisos temporários e conhecer histórias que levarei como uma lição de vida.

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