Polêmica desnecessária

Há mais de quatro anos um grupo de indígenas ocupa, irregularmente, o Tisac (Terminal de Integração do Saco dos Limões). O terminal desativado do transporte coletivo de Florianópolis não tem estrutura adequada de alojamento e apresenta problemas na instalação elétrica e hidráulica e de saneamento.

Não é um local adequado para servir de moradia a quem quer que seja. Mesmo assim, por pressão do Ministério Público Federal e de ONGs, o ônus de acolhê-los está sobre a Prefeitura da Capital.

Mas a Justiça Federal determinou que o grupo de índios fique no local e que a Prefeitura da Capital construa uma casa de passagem. E ainda exige que o município altere o zoneamento do terreno onde está prevista a construção dessa casa de passagem. Esse imóvel atrairia ainda mais índios para o local. Moradores do bairro são contra a permanência dos indígenas no Tisac.

Não há para a comunidade do Saco dos Limões um motivo plausível para mantê-los por ali. Diversas entidades da Capital também não concordam com a decisão da Justiça.

Há um consenso de que em vez de trazer os índios para uma casa de passagem, seria melhor valorizar o trabalho deles, melhorando os produtos e ensinando-os a formar uma cooperativa.

No terminal desativado, os indígenas estão suscetíveis à perda da identidade cultural, pois não podem fazer quase nada do que fazem em suas aldeias e reservas. Também ficam expostos a problemas como prostituição, drogas e alcoolismo, já denunciado por moradores do Saco dos Limões, que também reclamam da falta de higiene e do mau cheiro.

E quem acompanha de perto essa polêmica, que são os moradores, fazem uma reflexão: os índios poderiam estão melhor assistidos em uma reserva ou aldeia, onde, com ajuda de ONGs, da Funai e do próprio Ministério Público Federal trabalhariam tradições como caça, pesca, língua, artesanato e agricultura.

O índio é importante para o país, disso ninguém duvida, bem como a preservação da cultura, da história e das terras indígenas. A presença deles no Tisac, um local inadequado, só contribui para acabar com o pouco de cultura que ainda carregam em suas andanças para vender artesanato nas grandes cidades.

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