400 dias sem aulas

Os 31,1 mil alunos da rede municipal de ensino estão sem aulas presenciais em Florianópolis há 400 dias. Prejuízo psicológico, social, cultural e educacional para crianças e adolescentes que vêm escapar entre as mãos a oportunidade do aprendizado.

Enquanto as escolas estaduais e particulares retomaram em fevereiro o ensino presencial, bem como as unidades municipais de todas as outras cidades de Santa Catarina, com os protocolos necessários para a segurança de estudantes, uma meia dúzia de sindicalistas do Sintrasem (Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Municipal de Florianópolis) se acha no direito de declarar uma greve e interromper o ciclo de aprendizado dos alunos da rede municipal. Greve essa despropositada e que está esvaziada: das 120 escolas, apenas seis estão totalmente fechadas; 12 não aderiram e as demais estão funcionando parcialmente.

Assim com as estaduais e particulares, as escolas da Capital também estão preparadas para receber os estudantes. O que derruba um dos principais argumentos da greve – de que as escolas não são ambientes seguros e não há risco de contágio do coronavírus.

Diversos especialistas em saúde afirmam que a possibilidade de transmissão do vírus por crianças e adolescentes é baixa e que escolas fechadas trazem grandes prejuízos para o aprendizado e para a saúde mental dos estudantes.

Reportagem publicada na edição de ontem do ND mostra que pais de alunos reivindicam o retorno às aulas presenciais. O secretário de Educação da Capital, Maurício Fernandes Pereira, criticou a greve. “O Sintrasem está bloqueando um direito constitucional: o direito à educação”.

Não resta dúvida de que é preciso ter cautela com as vidas. Mas com os protocolos sanitários sendo cumpridos, servidores, professores e alunos utilizando equipamentos essenciais, o ambiente escolar torna-se muito mais seguro do que o ambiente domiciliar e comunitário onde as escolas estão inseridas. Crianças e adolescentes, especialmente os mais pobres, já foram demasiadamente penalizados pelo longo período de fechamento. É preciso um basta à essa greve fora de hora.

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