A culpa pela pandemia

As relações entre o Brasil e a China estiveram abaladas por um comentário feito pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro em sua rede social atribuindo culpa ao governo chinês pela propagação da pandemia que a cada dia faz novas vítimas ao redor do mundo. A reação do embaixador da China no Brasil, exigindo um pedido de desculpas, não atenuou a crise que ganhou dimensões exageradas graças à grande mídia que atribui o imbróglio ao presidente Bolsonaro.

Coube ao vice-presidente Hamilton Mourão, com a sua sensatez de costume, colocar o tema na sua verdadeira dimensão, dizendo que se o deputado tivesse o sobrenome Bananinha não haveria esta polêmica e que o parlamentar não representa o governo. O recado foi dado para a imprensa militante que atribui ao presidente Bolsonaro todos os problemas do país.

Deste episódio, duas reflexões importantes sobre a liberdade de expressão do parlamentar e dos chineses. Em primeiro lugar, o deputado Bolsonaro tem o direito de se pronunciar livremente, expor suas opiniões e ideias, mesmo que muitas vezes sejam polêmicas e contraditórias. Vivemos em pleno estado de Direito garantido pela democracia. O mesmo não se pode dizer em relação à China.

Em segundo lugar, o deputado não falou nenhuma mentira. Talvez não tenha sido oportuno o comentário, mas a verdade que o novo coronavírus surgiu na cidade chinesa de Wuhan, no fim de 2019, provavelmente tendo morcegos como hospedeiros. Os hábitos exóticos dos chineses em relação à culinária talvez tenham ajudado a dar início ao surto.

Não se trata de teoria da conspiração. A verdade é que a China tem culpa sim, porque o regime comunista, que priva a todos de liberdade, não permitiu que o médico chinês que identificou o vírus – e por ele foi morto – alertasse os demais países sobre sua descoberta. Li Wenliang tentou avisar colegas médicos sobre o vírus, mas foi perseguido e orientado pela polícia a parar com seus comentários.

A morte do profissional escancarou para o mundo o debate sobre a falta de liberdade de expressão na China. O governo comunista subestimou a gravidade do vírus e tentou manter em segredo o assunto. O episódio revela a diferença entre os regimes democráticos e as ditaduras. Com certeza, se a China tivesse outra forma de regime, milhares de vidas teriam sido poupadas e evitado o caos econômico.

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