A falta de medicamentos

Santa Catarina passa pelo momento mais crítico da pandemia da Covid-19, com o aumento do número de casos e de mortes. Não bastasse a dor e o sofrimento com as perdas de mais de 1.200 vidas, as dificuldades impostas pelo isolamento social e pela crise econômica, e com os cuidados que todos devemos ter para evitar o contágio do novo coronavírus, agora os hospitais alertam para a possível falta de medicamentos, como anestésicos, e insumos, como bombas de infusão, que formam o “kit intubação”, utilizados no combate à doença.

O diretor executivo da Associação dos Hospitais de Santa Catarina, Adriano Carlos Ribeiro, afirmou à Comissão Especial de Gastos com o Coronavírus, da Alesc, que a situação é crítica e os estoques em alguns hospitais devem acabar nesta quarta-feira (5).

Apesar da questionada atuação do governo do Estado na pandemia, nesse caso o problema não é financeiro e nem de planejamento. Com o agravamento da situação em grande parte do país, há um conjunto de fatores que causam essa escassez de medicamentos: problemas com licitações desertas, falta de produtos no mercado, atraso na entrega e alta dos valores.

Dados de relatórios do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados) revelam que há sobrepreço de até 287% no preço de sedativos e antibióticos. Pelo levantamento do Conass, 11 medicamentos usados como apoio para ventilação mecânica estão em falta em mais da metade dos Estados.

O secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, afirma que o problema é mais de fornecimento do que da responsabilidade de compra. Mesmo assim, alguns prefeitos fazem críticas ao governo, de “que não tem dado a resposta adequada”. Diante de tantos problemas que Santa Catarina enfrentou e enfrenta, é inadmissível que esta questão dos medicamentos seja politizada. Santa Catarina não merece.

O escândalo dos respiradores já provocou estrago suficiente na vida dos catarinenses e na reputação do Estado. Os responsáveis pelo pagamento de R$ 33 milhões à Veigamed terão de ser punidos. Mas agora, o momento é de Estado e municípios somarem forças no apoio a quem mais precisa da ajuda do Poder Público.

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