A farra com dinheiro público

A farra dos partidos com o dinheiro público não tem fim. Reportagem da “Folha de S.Paulo”, destacada na edição de ontem do ND, revelou que o Patriota, uma das menores siglas da Câmara, com apenas seis deputados, gastou R$ 260 mil na compra de um carro de luxo e mais R$ 153 mil em outros quatro veículos. Ao todo, a legenda, que defende uma “verdadeira austeridade fiscal no país”, desembolsou R$ 644 mil de verba pública.

Isso é apenas um dos exemplos dos gastos luxuosos por vários dos 33 partidos, que têm à disposição uma verba anual de R$ 1 bilhão (fundo partidário) e outros R$ 2 bilhões a cada dois anos para gastos de campanha (fundo eleitoral).

Não é só o Patriota que avança fervorosamente nos cofres públicos. Outras legendas, conforme a reportagem, também vão com muita sede ao pote, sem nenhuma cerimônia. O PT, dono da maior fatia do bolo dos fundos, lidera os gastos incluídos nas prestações de contas partidárias de 2019 em rubricas como viagens (R$ 1,57 milhão), propaganda (R$ 6,2 milhões) e advocacia (R$ 6,1 milhões). O PSDB gastou mais em pagamento de multas (R$ 709 mil) e pesquisas de opinião (R$ 1,48 milhão). A Folha citou ainda dispêndios do MDB e do PSD.

Em maio deste ano, no editorial “É hora de mudar o Brasil”, o Grupo ND fez uma reflexão sobre as eleições e o comportamento dos políticos. “Fazer política no Brasil virou um grande negócio. Para os políticos não faltam recursos. Partidos e candidatos são financiados com verba pública, com dinheiro pago pelos contribuintes, o que se constitui em uma distorção do nosso modelo. Partidos deveriam se manter por seus próprios meios, com financiamento ou doações daqueles que os apoiam e comungam da mesma ideologia”, diz trecho do editorial.

A cada atitude como esta dos partidos, fica mais difícil a população acreditar numa mudança de conceito da classe política brasileira. O ideal, rejeitado pelo Congresso Nacional, seria o da construção de modelo sem a oferta de dinheiro público e com redução também das despesas de campanha. Infelizmente, os caciques dos grandes partidos continuarão mandando e dando as cartas no Brasil. E os políticos vão continuar mantendo o distanciamento da sociedade, no mundo paralelo de Brasília.

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