A festa do bom senso

“No Carnaval cancelado, quem se arriscar em alguma festa fechada deve lembrar de que ao bordão “use camisinha” hoje se soma o “use máscara”

Pelo menos R$ 8 bilhões devem deixar de circular na economia brasileira com o cancelamento das festas de Carnaval em 2021, segundo estimativa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

O cancelamento da festa mais popular do país nos mais tradicionais redutos é mais uma iniciativa do poder público de tentar conter a propagação do coronavírus, evitando nova onda no momento em que os números apontam que em 11 meses a Covid-19 provocou mais de 236 mil mortes.

As estatísticas, baseadas nos registros do Ministério da Saúde, revelam que em uma semana o Brasil atingiu média móvel de mortes semelhante ao maior pico da pandemia, no fim do mês de julho de 2020. Embora a média móvel seja alta, ela apresenta estabilidade em relação às mortes.

Além do cancelamento da festa nos tradicionais polos carnavalescos no país, caso de Salvador (BA) e Rio de Janeiro (RJ), seguido por quase todos os Estados, os prefeitos catarinenses optaram por cancelar, além da folia as folgas na data, que não é feriado oficial, mas “ponto facultativo”.

Se do ponto de vista da segurança e da saúde o cancelamento do Carnaval é sábia decisão, como de fato é em mais uma tentativa de conter as aglomerações, ele deixa órfãos não só os que se fantasiam para viver dias inebriantes, mas deve deixar de gerar, ainda segundo a CNC, cerca de 25.000 empregos temporários.

O Carnaval é, mais do que a folia em si, uma indústria de fantasias que vai além do sentido literal da palavra. DDDD=d=Demanda série de serviços, que vão da organização à produção de fantasias, mobilizando extensa cadeia de fornecedores de diferentes áreas de indústrias, comércios, serviços, impactando no mercado de bebidas, alimentos, hospedagem, transporte, meio artístico, além de oferecer também oportunidade de renda extra para os ambulantes.

O turismo é um dos segmentos que mais sofreu, mas os economistas consideram complicado dimensionar a suspensão do Carnaval.

Mesmo diante do quadro pandêmico, o governo catarinense informa que o segmento de serviços teve crescimento acima da média nacional em dezembro de 2020. Subiu 4,3 em comparação ao mesmo período de 2019, segundo Pesquisa Mensal de Serviços, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Santa Catarina ficou em 1º lugar entre os maiores Estados e em 6º no cômputo geral. A média nacional ficou em -3,3% para o período.

E como, mesmo cancelada, seria ingenuidade ignorar que a folia deve ocorrer em eventos fechados, o que se recomenda são os cuidados exaustivamente orientados ao longo de 2020, em que ao bordão “use camisinha” de vários carnavais, agora soma-se o “use máscara” e, em especial, bom senso.

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