A fila do atraso

“Por que das 298 mil doses da vacina recebidas até agora em Santa Catarina, apenas 32,5% delas foram aplicadas?”

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, determinou que o Ministério da Saúde defina em até cinco dias a ordem de preferência na fila da vacinação contra a Covid-19. Segundo ele, a distribuição das doses entre os grupos prioritários atualmente em execução não tem seguido “racionalidade” e precisa se basear em “critérios técnico-científicos” sobre quem será vacinado primeiro.

A determinação faz sentido, pois desde que a vacina começou a ser aplicada no país situações de injustiças, de uso da máquina pública para privilegiar pessoas que não foram incluídas no grupo prioritário,  começaram a brotar de Norte a Sul.

A desorganização tem gerado problemas. Um deles pode ser atribuído ao critério de colocar como prioridade profissionais da Saúde. Para o bom entendedor, bastaria concluir que a prioridade era para os profissionais que atuam na linha de frente no combate ao vírus e no convívio direto com pacientes infectados.

Mas, lamentavelmente, surgiram aqueles de má-fé, como profissionais que estão em home-office ou com atividades suspensas, levantado a bandeira de seu falso direito só para furar a fila.

E além dos abusos desta gente sem noção, um dado preocupante em relação à vacinação em Santa Catarina é o fato de o Estado ser o mais atrasado em relação aos vizinhos Paraná e Rio Grande do Sul na imunização. Ontem, o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, participou virtualmente de reunião com os deputados estaduais, onde deveria prestar contas desta lentidão.

O secretário argumentou que está em Brasília justamente para saber sobre a quantidade de vacinas que ainda serão disponibilizadas nas próximas remessas. O papel de coordenar o PNI (Programa Nacional de Imunizações) e de desenhar a estratégia de vacinação no país é do Ministério da Saúde. Os Estados recebem as vacinas e as distribuem aos municípios, que executam a vacinação de acordo com critérios do governo federal.

Mas a pergunta que não quer calar é a seguinte: por que das 298 mil doses da vacina recebidas até agora em Santa Catarina, apenas 32,5% delas foram aplicadas? E dos 295 municípios, apenas 18 deram início à aplicação da segunda dose, quando o Estado havia informado que da primeira remessa já ficaria a reserva para a segunda dose, que deveria ser aplicada depois de 14 dias da primeira? Além disso, o secretário disse que não há previsão para a conclusão das fases 1 e 2 da vacinação contra a Covid-19 em Santa Catarina.

Lamentavelmente, ao invés de se preocupar em dar vazão a todo este estoque de vacinas, o secretário se envolveu em outra polêmica totalmente desnecessária, ao indicar um amigo para dirigir o Hospital Infantil Joana de Gusmão, preterindo profissionais experientes em pediatria e gestão hospitalar em detrimento a uma pessoa que notadamente só está investindo na carreira política.

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