A hora do equilíbrio

“A conta não é fácil de fechar, mas o que se espera das autoridades é que a Petrobras seja administrada com equilíbrio.”

O anúncio do terceiro aumento nos preços dos combustíveis praticados pela Petrobras, somente neste ano, na segunda-feira, repercutiu imediatamente no mercado e junto aos consumidores. E não é para menos, já que no acumulado do ano, o reajuste da gasolina chegou a 22%, enquanto a inflação oficial do País, medida pelo IPCA, em janeiro, subiu 0,25% em comparação a dezembro do ano passado, segundo os cálculos do IBGE.

Criada em 1953 pelo presidente Getúlio Vargas, a Petrobras manteve o monopólio de diversas atividades ligadas ao petróleo por 44 anos, incluindo exploração, extração e refino do combustível. A exclusividade foi quebrada em agosto de 1997 pela nova lei do petróleo sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.

Mas na prática, de lá para cá, algumas companhias chegaram a atuar ao lado da Petrobras na extração e produção de petróleo, como Shell e Chevron, entre outras. No refino, porém, quase nenhum candidato apareceu. Das 17 refinarias existentes no fim da década passada no País, 13 eram da Petrobras e só quatro eram privadas.

Graças ao seu gigantismo, a Petrobras – e as autoridades governamentais de plantão – seguem ditando as regras no mercado. Muitas das vezes, como no caso dos seguidos reajustes, dando a impressão que a empresa é administrada apenas com foco no lucro a ser distribuído a seus acionistas, sem se importar com os reflexos na economia do país e no bolso dos cidadãos.

O mais recente aumento serviu ainda para manter os caminhoneiros, que vem ameaçando fazer greve, em alerta. Para desarmar a bomba-relógio, o presidente Jair Bolsonaro empurrou para o colo dos governadores a solução: a redução do ICMS para garantir combustíveis nas bombas dos postos a preços mais baixos.

Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, diz que gostaria de zerar o PIS/Cofins incidente no preço, mas alega que “cada centavo” cortado representaria R $575 milhões a menos de arrecadação para o governo federal.

Como se vê, a conta não é fácil de fechar, mas o que se espera das autoridades é que a Petrobras seja administrada com equilíbrio e busque preços cada vez mais competitivos, condição que será favorável tanto para a empresa quanto para a sociedade brasileira como um todo.

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