A hora do reconhecimento

Uma reunião semipresencial, na quarta-feira (19), envolvendo a bancada federal catarinense, o governador Carlos Moisés e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Marques, serviu para diminuir a apreensão das forças econômicas e políticas do Estado, que há anos vêm cobrando um retorno maior dos impostos pagos à União.

O ministro garantiu a continuidade das obras da BR-285, no Sul de Santa Catarina, que corriam o risco de serem paralisadas por falta de orçamento.

A reivindicação catarinense faz todo sentido, já que historicamente o Estado recebe de volta, na forma de investimentos, muito menos do que o elevado volume de impostos enviado para Brasília.

Para se ter uma ideia da disparidade, no ano passado, Santa Catarina mandou para a União R$ 69,8 bilhões em impostos, mas recebeu de volta da esfera federal R$ 471 milhões de investimentos em infraestrutura. Mas, de acordo com a Agenda Estratégica, documento editado pela Fiesc, são necessários pelo menos R$ 1,47 bilhão por ano.

Caso esse valor fosse aplicado anualmente em Santa Catarina, obras de duplicação em importantes artérias da economia do Estado, como as BRs 470, 163, 282 e 280 já estariam concluídas. E outros gargalos como os acessos aos portos e aeroportos e até mesmo a ampliação de nossa malha ferroviária poderia sair do papel.

No mesmo encontro, o presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, entregou as demandas catarinenses ao Plano Nacional de Logística (PNL 2035). E o ministro se comprometeu em criar um modelo específico para avaliar as demandas catarinenses na área.

Com apenas R$ 5,7 bilhões para investir em todo o país, o ministro pediu o apoio da bancada catarinense para a recomposição do orçamento. Isso porque há dois projetos de lei orçamentária (PLN 4 e 5), que tramitam no Congresso e vão permitir a suplementação de recursos.

Santa Catarina é reconhecida como o último Estado do Brasil a entrar em crise e o primeiro a sair dela, e tanto isso é verdade que o Estado vem se destacando nos últimos meses por liderar o ranking de geração de empregos do país, e por seguidos aumentos na arrecadação de impostos.

Logo, a União, ao que tudo indica, vai continuar contando com a costumeira colaboração do Estado para que o Brasil volte a viver dias melhores. Portanto, nada mais justo que o resultado deste esforço retorne aos catarinenses.

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