A Ômicron e a economia

A suspensão da temporada de transatlânticos na costa brasileira até 4 de fevereiro, anunciada pela Clia (Associação Brasileira de Navios de Cruzeiros), abre uma discussão importante sobre os reflexos da variante Ômicron na economia e os protocolos disponíveis para garantia de atividades seguras.

A decisão da entidade, que já tinha paralisado as operações até o dia 21 de janeiro, ocorre em meio a uma pressão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para interrupção definitiva das viagens.

Segundo o órgão, a medida é necessária para proteção da saúde da população por conta do aumento de casos de Covid-19 registrados nas embarcações que circularam pela orla desde o início da temporada.

O cancelamento, mesmo que em caráter provisório, atinge em cheio um setor que tinha a previsão de movimentar mais de 360 mil turistas, com impacto de R$ 1,7 trilhão, e gerar 24 mil empregos até o final da temporada de verão.

É uma cadeia extensa, que movimenta segmentos variados da economia, como comércio, alimentação, transportes, hospedagem, serviços turísticos, combustíveis etc. A estimativa é que cada navio gere em torno de R$ 350 milhões de receita para a economia do país. A cada desembarque, um turista gasta em média US$ 100.

Pairam dúvidas, especialmente entre o cidadão comum, sobre a necessidade de providências tão drásticas nesse momento – mesmo em meio do aumento de casos de coronavírus que vem sendo registrados por conta da nova variante.

Em primeiro lugar, porque sabe-se que todos os viajantes dos cruzeiros já embarcaram com o ciclo vacinal completo – exigência das operadoras na compra dos pacotes. Em segundo lugar, porque também é notório que são poucos os casos graves entre os infectados pela Ômicron. Ou testes de Covid-19 deverão ser incorporados aos protocolos para os passeios em alto-mar?

Dois anos depois do início da pandemia temos que ter aprendido algumas lições. E uma delas é não sacrificar a economia sem lançar mão de alternativas e procedimentos para garantia de segurança das atividades – levando em conta suas especificidades e características.

Como oportunamente tem se manifestado a Abeoc (Associação Brasileira das Empresas de Eventos), “muito mais importante do que cancelar eventos, o que somos terminantemente contrários, é continuar o processo vacinal e manter os protocolos, como uso de máscaras e álcool em gel, que já mostraram sua eficiência”.

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