A ponte além da mobilidade

A prefeitura da Capital trabalha há dois anos no planejamento do entorno e usos da ponte Hercílio Luz. A medida em que a restauração avança para a reta final, com previsão de entrega para o mês de dezembro, fica cada vez mais clara a proposta de inserção no sistema de mobilidade urbana da cidade, especialmente para o transporte público. Mas, como falou na segunda-feira o secretário adjunto de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, Thiago Vieira, é preciso pensar na ponte como “um santuário e não uma obra”. “A ponte Hercílio Luz precisa trazer a magia da Ilha e encantar”. Essa é a grande expectativa de todo o florianopolitano, de toda a gente catarinense. E esse plano ainda não está muito claro.

Fala-se em transportar por ela mais de 65 mil pessoas por dia, pelo sistema de ônibus da cidade. Mas muito mais gente vai procurar por ela todos os dias para tirar fotos, atravessar caminhando, tomar posse desse verdadeiro monumento, que por muito anos pode apenas ser visto e não tocado. Não será, em nenhum momento, a Hercílio Luz a saída para os nossos problemas de mobilidade urbana. Mas ela se firmará ainda mais como símbolo da Capital e do Estado.

A prefeitura e o Estado falam em, “no futuro”, aproveitar melhor esse potencial turístico, depois da estrutura viária definida, testada e implementada. Essa questão, ao contrário, precisa avançar mais rapidamente, tendo em vista que há outros equipamentos turísticos nos arredores, como o próprio Parque da Luz e o Forte Santana. A ponte é muito mais que um complemento turístico e todas as atenções serão voltadas para ela.

Está claro que, valorizar a “Velha Senhora”, hoje, é muito mais que respeitar sua história e sua imagem. É coloca-la de novo em nosso dia-a-dia e cuidar para que ela esteja conosco no futuro, por muitas e muitas décadas, como santuário, ícone, ponto turístico, símbolo e até suporte à mobilidade.

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