A prioridade das prioridades

A decisão de afastar o governador Carlos Moisés da Silva (PSL) por até 120 dias para o processo de impeachment por conta da compra dos respiradores por R$ 33 milhões – não entregues e com prejuízo aos cofres públicos – estabelece um novo cenário no comando do Centro Administrativo, sede do Executivo catarinense.

Pela segunda vez, Carlos Moisés cede a sua cadeira para a vice Daniela Reinehr (sem partido), num processo de transição traumatizado pelo quadro agudo da pandemia no Estado.

É um momento grave a exigir da autoridade pública grande responsabilidade para que não haja quebra de continuidade nas ações de combate ao Covid-19 e que as disputas de espaço político e poder não se sobressaiam diante das grandes demandas da sociedade. É evidente que Daniela Reihehr tem o direito de montar a sua equipe, com pessoas de sua confiança.

Mas não é hora de disruptura ou ações que coloquem em risco o trabalho que vem sendo feito, principalmente na área da saúde pública. Seria temerário mudanças bruscas, troca-troca de cargos, apenas com fins politiqueiros. Se houver mudanças, que sejam para acelerar as ações de governo e não travar a máquina pública.

É essencial que as políticas de enfrentamento da pandemia sejam mantidas, assim como todas as iniciativas para a recuperação do desenvolvimento econômico do Estado. O afastamento temporário de Carlos Moisés não pode ser pretexto para aventuras, para experimentos administrativos e políticos, sob o risco de penalizar ainda mais os catarinenses.

Na sua única manifestação até agora, após a decisão de seu afastamento pelo tribunal misto, o governador Moisés promete que a transição será feita de forma tranquila e sem prejuízos à pandemia. E que a prioridade é a vida dos catarinenses. A passagem de bastão não poderá ser diferente.

A fala de Moisés, que deixa o cargo amanhã, mostra que as divergências em relação à sua vice, por estarem muitas vezes em polos opostos, não deverá interferir nas ações de governo.

A vice Daniela Reinehr também se mostrou preocupada com a atual situação e promete a união de todos os esforços para imunizar e dar atendimento hospitalar e imediato à população. Promete dialogar com toda a sociedade.

É um compromisso à altura de quem assume o comando de um Estado tão diferenciado como Santa Catarina, que busca a recuperação de sua grandeza social e econômica. Os desafios são gigantescos. O diálogo entre quem sai e quem entra é fundamental para que não haja descontinuidade e desgoverno.

Os catarinenses, que acompanham o impeachment pela imprensa, temem pelo rompimento de ações que estão dando certo, como o reaparelhamento da rede pública, a abertura de novos leitos de UTI e a chegada das vacinas. É preciso manter o planejamento os cronogramas que objetivam evitar mortes e salvar vidas. Esta é a prioridade das prioridades

+

Editoriais