A prioridade é o Brasil

Em meio à grave pandemia do coronavírus, que abalou emocionalmente a todos pela gravidade da doença, os brasileiros viram irromper mais uma grave crise institucional e política com desdobramentos imprevisíveis. O embate entre o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, e o presidente Jair Bolsonaro, levantaram ondas de decepção, tristeza e até de incredulidade. Deste episódio, ambos saem arranhados pelo teor explosivo das versões que levaram o ex-juiz da Lava Jato a deixar o governo.

Elevado à categoria de herói nacional, pelo combate à corrupção que colocou empresários e políticos na cadeia, Moro fazia parte do tripé que sustentava o governo Bolsonaro, junto com o ministro da Economia, Paulo Guedes. Se Moro tem o respeito dos brasileiros, Bolsonaro tem o capital político que o levou ao Palácio do Planalto com quase 58 milhões de votos.

Na sua despedida, ao entregar o cargo o ex-ministro justificou a sua decisão e fez denúncias graves contra o presidente da República. A principal delas seria a interferência política no comando da PF para obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência. Em resposta, em pronunciamento público e cercado de todo o seu ministério numa clara demonstração de unidade e apoio, Bolsonaro negou esta interferência. Porém, admitiu que cobrou de Moro investigações que estão sem respostas até hoje, exemplificando com o caso Adélio, o homem que esfaqueou Bolsonaro.

O que ficou evidente, em ambos os pronunciamentos, é o mal-estar que vem de longa data entre o presidente Bolsonaro e seu ex-ministro com rusgas e desentendimentos até a quebra de confiança que levou a este desfecho. O ex-magistrado não se submeteu à vontade de Bolsonaro, refutando seus pedidos, não alinhando em alguns temas de campanha. Bolsonaro se julga no direito, inclusive legal, de nomear e exonerar sem a necessidade de pedir licença ao ministro. E fiel à sua formação militar, exige dos seus ministros subordinação e fidelidade.

O momento é delicado e exige reflexão, principalmente da classe política que, ao que tudo indica, vai transformar a saída do ministro num novo fato para desgastar a imagem do governo Bolsonaro. Há denúncias de um golpe em andamento, com o envolvimento de congressistas e representantes dos altos poderes da República, cujo objetivo é o oportunismo político.

É preciso lembrar que Jair Bolsonaro foi eleito de forma legítima e democrática pela maioria dos votos dos brasileiros. O país já enfrenta a crise da Covid-19, que está devastando vidas e a economia. A demissão de Moro não pode servir de pretexto para paralisar o Brasil. Precisamos reagir à pandemia, retornar à normalidade e recuperar o tempo perdido. Esta é a prioridade neste momento.

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