Abandono e entrega legal

O caso de uma menina recém-nascida encontrada em uma caixa de papelão na manhã de ontem no Centro de Florianópolis é chocante, entristecedor. O bebê ficou 26 horas, em ambiente aberto, até que foi encontrada, chorando. O que leva uma mãe a abandonar uma filha com seis dias de vida? Vários fatores podem justificar a entrega legal de um recém-nascido à Justiça e que podem ser compreendidos pelos cidadãos. No entanto, não há justificativas que expliquem o abandono de um bebê em um local insalubre sem os cuidados que estes menores necessitam. Se a mãe ou os pais não querem, por algum motivo, ficar com a criança recém-nascida, podem procurar a Vara da Infância e Juventude de sua cidade e informar que não desejam cuidar e criar aquela criança, para que a Justiça tome as medidas previstas pela legislação. Uma delas é a adoção, que dá a chance a muitos casais de realizarem o sonho de terem filhos e a muitas crianças de terem uma família e poderem crescer com qualidade de vida, saúde e educação que merecem. Para isso, é fundamental que essa informação chegue até essas pessoas, que num momento de desespero ou de fraqueza acabam abandonando seus bebês. É imprescindível para que não seja retirado de outras crianças o direito à vida. A frieza e a crueldade de fatos como este que ocorreu em Florianópolis e que ocorrem com frequência pelo país, revelam uma realidade que ninguém quer. Uma realidade de abandono, de falta de estrutura familiar e emocional, de violência doméstica, de condições socioeconômicas insuficientes, de estupro, entre outras questões. Para profissionais que trabalham na assistência social e Justiça, a entrega legal é um ato de amor pelo próximo. A decisão das mulheres em se separar do filho, mas permitir que ele tenha uma vida saudável e feliz, muitas vezes é amparada no reconhecimento e na aceitação da impossibilidade de criá-lo. Isso não é crime, é uma atitude digna que merece o respeito de todos.