Abstenção, o diferencial das eleições

Um sucesso. Essa é a avaliação do presidente do TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral), desembargador Jaime Ramos, sobre as eleições municipais em Santa Catarina. Falhas nas urnas eletrônicas foram resolvidas a tempo. E brigas e ameaças entre candidatos e cabos eleitorais e a sujeira com o derramamento de santinhos nas proximidades dos locais de votação são questões comuns em todo pleito.

O principal diferencial dessas eleições que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu manter durante a pandemia de Covid-19 foi o grande índice de abstenção. No Estado, foi de 22,47%.

Nas eleições de 2016, o percentual registrado chegou a 13,02%. Em todo o território nacional, o índice foi de 23,14%, o maior para pleitos municipais dos últimos 20 anos.

Devido à pandemia, já era esperado que muitos eleitores não comparecessem aos locais de votação. Mas quem votou, percebeu que o plano de segurança sanitária elaborado pelo TSE para evitar a disseminação do coronavírus foi bem executado.

Mesários, fiscais e eleitores cumpriram as regras. Idosos, que fazem parte de um dos grupos de risco, se resguardaram. E muitos outros eleitores, infelizmente, preferiram pagar a irrisória multa de R$ 3,50 a ter que se deslocar para suas seções eleitorais.

Dentro do processo democrático, a abstenção e os votos brancos ou nulos correspondem a “lavar as mãos” sobre o futuro das cidades, das famílias e do próprio eleitor. É compreensível o descrédito do cidadão para com a classe política, mas jogar a responsabilidade os outros eleitores é omissão.

Na prática, a abstenção significa abdicar do arbítrio e permitir que pessoas despreparadas sejam eleitas. Então, quem não exerceu o direito de cidadão por meio do voto, não poderá reclamar dos eleitos para prefeituras e Câmaras de Vereadores que tomarão posse de seus mandatos no início de 2021.

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