Alerta máximo

Há exato um mês, Florianópolis anunciava a oitava morte por Covid-19, após 32 dias sem registrar óbito. Desde então, com a flexibilização de serviços e atividades econômicas, 14 pessoas morreram e os casos deram um salto. No Covidômetro, da prefeitura, um instrumento de avaliação sistemática diária, o status é de alto risco.

A Capital, que vinha se destacando nacionalmente no controle e combate ao novo coronavírus, é apenas um recorte do que vem acontecendo em todo o Estado. A vizinha São José também contabiliza novos casos diariamente. Há um crescimento do número de casos e mortes em muitas cidades.

Neste fim de semana, ao menos três grandes hospitais – Caridade e SOS Cárdio, em Florianópolis, e Unimed Litoral, em Balneário Camboriú, divulgaram notas oficiais nas quais informavam que esgotaram a capacidade instalada das UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) para atendimento de pacientes com Covid-19. Ou seja, a superlotação dos hospitais, que era algo distante de Santa Catarina, virou uma realidade e preocupa.

O governo do Estado, que vem recebendo recursos do governo federal para o combate ao coronavírus, chegou a anunciar a instalação de hospitais de campanha. Desistiu após o escândalo dos respiradores, e mais nada foi dito sobre isto.

A situação é crítica. As regras rígidas e o controle da doença nestes quase quatro meses proporcionaram uma falsa confiança na população, que relaxou nas medidas restritivas e passou a viver como se tudo estivesse normal. Flagras de aglomerações, festas e a falta do uso de máscaras se tornaram rotina em Santa Catarina.

Até o governador Carlos Moisés foi flagrado em uma festa junina em um hotel fazenda na cidade de Gaspar. Esse descontrole generalizado agora pode colocar em risco o que foi realizado até aqui.

O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, apontou as visitas em casa de parentes e amigos e a ida em supermercados como os dois principais motivos para o aumento do número de casos. Hoje, o governo do Estado vai reavaliar as medidas de abertura das atividades econômicas. É preciso que a população reveja seus atos e repense o que está fazendo para impedir o avanço do contágio.

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