As estratégias da educação

“O desafio de inovar e de incorporar novas ferramentas ao ensino vai além da infraestrutura. Ele exige a revisão dos modelos pedagógicos.”
No dia em que fechamos cinco meses desde a primeira suspensão das aulas presenciais em todos os níveis em Santa Catarina, cada vez mais o retorno ainda neste ano parece distante e depende do cenário da pandemia.

O governo estadual decidiu manter a suspensão pelo menos até 12 de outubro. A decisão tem como base análise junto à Saúde, que mostra que a situação nas 16 regiões do Estado se divide em gravíssima (12) e grave (4). Ontem, também, o governo federal publicou a Lei nº 14.040/2020, que desobriga escolas e universidades a cumprirem a quantidade mínima de dias letivos neste ano.

Tema que sempre provoca polarização de opiniões, a decisão de manter a suspensão tem como argumento a segurança de estudantes, de professores e demais profissionais da Educação. Mas mais do que a segurança baseada nos protocolos sanitários, o que deve ser discutido no momento pelos gestores são as estratégias para a retomada e como o segmento pode, e deve, se preparar para encarar outro home office.

Mais do que considerar o ano perdido ou perseguir o cumprimento do calendário escolar a qualquer custo, é preciso buscar equilíbrio, levando-se em conta que todos, de alguma forma, estão afetados emocionalmente. E é o momento de direcionar o olhar à qualificação dos professores.

Pegos de surpresa, todos os protagonistas deste cenário se viram obrigados, de um dia para outro, a trocar a sala de aula por um ambiente não acessível a todos. Muito se fala sobre as dificuldades dos alunos terem aulas virtuais. Mas pouco se fala dos muitos professores que sequer têm um computador em casa.

Com o home office imposto como forma de garantir a saúde e sem as ferramentas para executar seu trabalho, muitos tiveram que se endividar para comprar equipamentos e instalar redes de internet em suas casas para enfrentar a nova realidade, dividindo-se ainda no preparo de atividades online e impressas.

Recente relatório da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostrou que o desafio de inovar e de incorporar novas ferramentas ao ensino vai além da infraestrutura. Ele exige a revisão dos modelos pedagógicos.

Ou seja, para que a inteligência artificial cause impacto na educação é preciso que a inteligência humana crie conexões que darão sentidos práticos aos conteúdos aprendidos com auxílio da tecnologia, na escola ou fora dela.

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