As novas cores do Sul

“A preocupação maior está justamente nas baladas, nas aglomerações provocadas por aqueles que insistem em não respeitar os decretos e os protocolos de segurança.”

Uma reunião inédita entre os três governadores e secretários estaduais de Saúde da região Sul do país, agendada para amanhã, deve discutir ação conjunta para conter os assustadores números referentes à Covid-19.

Segundo boletim do governo catarinense divulgado no fim da tarde de ontem, há 638.984 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus em Santa Catarina – 605.085 recuperados e 26.938 em acompanhamento. A Covid-19 causou 6.961 mortes no Estado em 11 meses.

A doença chegou a todos os 295 municípios catarinenses, com pelo menos uma morte em 275 deles. E o mapa de risco divulgado no sábado voltou a pintar de vermelho quase toda Santa Catarina, o que significa risco gravíssimo em todas as regiões, às exceção da Carbonífera, no Sul do Estado, que está com o laranja de grave.

Já o vizinho Rio Grande do Sul, que usa a cor preta para classificar o nível gravíssimo, 11 das 21 regiões estão nesta situação, com as demais em vermelho do grave.

Houve reação das prefeituras gaúchas, que pedem para o Estado rever as cores, já que decreto publicado no sábado determina a suspensão geral de atividades, incluindo estabelecimentos de atendimento ao público, reuniões, eventos, aglomerações e circulação de pessoas tanto em áreas internas quanto externas, em ambientes públicos ou privados, entre 22h e 5h, todos os dias, até as 5h do dia 2 de março. O RS também fechou praias e apertou o cerco nas cidades gaúchas que fazem divisa com SC.

A explosão do número de contagiados vem provocando grande apreensão na população, pela ameaça de colapso no sistema hospitalar, e mobilizando as autoridades com novas ações para tentativa de conter sua expansão.

O Estado atribui às aglomerações o impressionante disparo do vírus que colocou a região Oeste em colapso e ameaça as regiões de Joinville, no Nordeste do Estado, e a Grande Florianópolis.

Sem indícios de estabilização ou redução do total de contaminados, a população aproveitou o fim de semana de sol para pegar uma praia e tomar um banho de mar. Tudo bem, se conseguiram respeitar o distanciamento e respirar ao ar livre.

A preocupação maior está justamente nas baladas, nas aglomerações provocadas por aqueles que insistem em não respeitar os decretos e os protocolos de segurança exaustivamente divulgados. E se a volta às aulas presenciais vai alterar esta realidade, só o tempo dirá.

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