Atitudes intoleráveis

Até pouco tempo tínhamos a expectativa de que a evolução tecnológica e todos os avanços da humanidade nos trouxessem, além do conforto e do amplo conhecimento disseminado com a rede mundial de computadores, mais discernimento.

E que os episódios de brutalidade e que o asco que sentimos diante de certas cenas ou comportamentos, alguns antes aceitáveis e hoje tipificados como crime, e outros que sempre foram crime, ficassem para trás.

Mas, lamentavelmente, apesar de todo o conhecimento na palma da mão – tá certo, tem que ter discernimento para ponderar e filtrar – o crime e a ignorância ainda imperam. Basta abrir os jornais ou acessar aos sites de notícias para nos depararmos com práticas impensáveis em qualquer tempo e em qualquer sociedade, que se proliferam.

Dois casos registrados no fim de semana em Santa Catarina ilustram bem este comportamento criminoso. Em Porto Belo, um grupo de bárbaros, em nome de uma tradição banida e elevada a crime desde 1998, a farra do boi, assustou tanto um boi que ele se jogou no mar. Infelizmente, os farristas ainda não haviam sido identificados.

Em Chapecó, no Oeste catarinense, uma funcionária assustada pelo assédio sexual que sofria de seu patrão, além do medo de ser dopada, em um momento de desespero passou um bilhete para clientes pedindo socorro.

Não é de hoje que ouvimos relatos de comentários indesejados e indecorosos por parte de chefes em relação aos subordinados. Com o passar do tempo, o combate ao assédio no ambiente de trabalho ganhou força. No âmbito do direito penal, em 2001, a Lei 10.224 introduziu no Código Penal, o artigo 216, A, criminalizando o assédio sexual.

Neste ano, a decisão comemorará seu 20º aniversário e, nos últimos anos, casos envolvendo celebridades e pessoas famosas que se disseram vítimas de assédios sexuais ganharam muita repercussão. Claro que a comprovação do crime sempre se torna problema para a vítima, que terá que se insurgir contra um superior hierárquico.

Felizmente, existe um crescente movimento de não aceitação de qualquer tipo de situação que gere desconforto e constrangimento, que se tornou pauta importante que encoraja diariamente aqueles que sofrem esse tipo de crime. Ao que tudo indica, a sociedade amadureceu nestes 20 anos, e não mais aceita ou tolera crimes covardes, mostrando que o combate não pode, e não irá parar.

+

Editoriais