Benefício para quem não precisa

Quem deveria dar o exemplo sobre ética e retidão, afinal se apresenta como postulante a representante da população em cargos eletivos, aparece agora, a poucos dias das eleições municipais, na lista do TCU (Tribunal de Contas da União) dos candidatos que receberam auxílio emergencial.

São mais de 10 mil candidatos a prefeito e vereador com patrimônio acima dos R$ 300 mil que receberam ao menos uma parcela do benefício do governo federal criado para ajudar pessoas de baixa renda durante a pandemia de Covid-19. Em Santa Catarina, são cerca de 3.500 candidatos que receberam o auxílio.

Há casos em que o patrimônio declarado do candidato supera R$ 1 milhão. São inclusões indevidas do benefício, uma vez que os indícios apontam renda incompatível com as regras do programa. As regras para ter direito ao auxílio emergencial são simples: renda familiar mensal per capita de até meio salário mínimo (R$ 522,50) e com a renda familiar total de até três salários mínimos (R$ 3.135).

Por mais que ainda sejam apenas indícios de ilegalidade, a hipótese de que candidatos tenham se aproveitado para embolsar R$ 600 mensais que deveriam ir para quem realmente necessita já é um descrédito desses cidadãos que têm a cara de pau de pedir votos.

Depois que o TCU tornou pública a lista, muitos correram para as redes sociais ou procuraram veículos de comunicação para dar as mais variadas alegações, que vão desde erro na declaração de bens a fraude. Outros confirmaram o pedido e disseram que estavam no direito. Alguns devolveram o dinheiro.

O que se espera de qualquer candidato a cargo público é uma conduta ilibada. É isso que o cidadão espera de quem pede seu voto na eleição. Afinal, está cansado de tantas promessas não cumpridas, dos casos de corrupção, de infidelidade partidária, dos escândalos…

Se comprovadas as irregularidades, se alguém foi vítima de golpe ou recebeu indevidamente, que devolva o benefício o quanto antes. E os aproveitadores, estes merecem ser punidos pelos eleitores nas urnas.

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