Boicote ao Facebook

Encampada pelas gigantes Unilever e Coca-Cola, a campanha global Stop Hate for Profit (Para de dar lucro ao ódio) está boicotando a publicidade no Facebook. Já são mais de 200 empresas que decidiram suspender as propagandas, entre elas algumas das maiores anunciantes do mundo. O boicote, uma resposta à falta de compromisso da plataforma com o controle das informações tóxicas e do discurso de ódio, ameaça o valor da companhia na Bolsa.

Nos últimos dias, o presidente executivo do Facebook perdeu R$ 7,5 bilhões.
A discussão sobre a maneira como as redes sociais permitem a livre publicação de ideias e discursos, que muitas vezes são ofensivas ou mentirosas, já ocorre há alguns anos nos meios de comunicação. Até então, o debate era restrito entre jornalistas e empresários do ramo.

Agora, a crise atual começou após o surgimento dos movimentos a favor da igualdade racial, em diversas cidades dos Estados Unidos, após o assassinato de George Floyd. Assíduo nas redes sociais, o presidente Donald Trump pediu à polícia para reprimir com violência as manifestações: “Quando começarem os saques, começam os tiros”, escreveu Trump no Twitter e no Facebook.
A frase foi o estopim para o boicote.

Enquanto o Twitter sinalizou a mensagem com um rótulo de conteúdo incitador de violência, o Facebook não fez qualquer filtragem na postagem. O discurso da companhia foi de que não poderia interferir na liberdade de expressão.

A partir daí entidades ligadas aos direitos civis decidiram usar outra estratégia para cobrar uma reação da rede social. Começaram a sugerir aos anunciantes que interrompessem a veiculação de publicidade no Facebook no mês de julho, como uma forma de ajudar a não fomentar a rede social que, na visão dessas organizações, é tolerante em relação aos discursos de ódio.

As empresas estão fazendo o que os políticos deveriam ter feito há muito tempo: atribuir responsabilidade editorial ao Facebook. Afinal, as redes sociais não são um local público para as pessoas descarregarem ali seus discursos de ódio ou inverdades. É uma ferramenta privada, controlada por uma empresa, que deve assumir tudo o que é publicado.

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