Campanha contra o cerol

Brincar de pipa é uma das atividades mais saudáveis da infância. Une pais e filhos na confecção e montagem, com técnicas transferidas de geração em geração e que nos grandes centros urbanos chegam a ser ensinadas até nas escolas. Isso para que as crianças e adolescentes não percam o hábito saudável de brincar ao ar livre. O que pais conscientes e professores não ensinam e acaba sendo trazido das ruas ou de outras famílias menos informadas, é o perigoso uso do chamado cerol: uma mistura de cola e vidro moído, passada na linha da pipa para que ela possa cortar pequenos obstáculos, como galhos de árvores e, na disputa com outros colegas, derrubar outras pipas. A prática é ilegal, mas pode ser considerada parte daquelas leis que “não pegam” porque não há nenhuma estrutura de fiscalização disponível para verificar se o cerol está sendo usado.

A morte da publicitária Josiane Marques, 34, no sábado de manhã, vítima de uma linha de cerol enquanto trafegava de motocicleta na Via Expressa, reacendeu a discussão do tema, que faz parte das preocupações dos motociclistas que transitam pela região e tem se deparado corriqueiramente com as “linhas da morte”. Para eles, junto com a tradição das pipas, também há uma tradição na região para o uso do cerol e pouco se tem feito para resolver o problema.

Para quem já foi de certa forma impactado pelo problema e para a própria Polícia Rodoviária Federal, o uso do cerol segue a mesma linha da farra do boi: precisa acabar. Para isso são necessárias campanhas de orientação às famílias, especialmente aos jovens e adolescentes. Enquanto não houver uma mobilização de toda a sociedade, o cerol vai continuar sendo fabricado e usado, assim como os bois continuarão sendo flagelados em praça pública durante a quaresma.

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