Concessão da rodoviária

Projetado em 1976 por dois arquitetos uruguaios para ser um marco da arquitetura de Florianópolis, o Terminal Rodoviário Rita Maria sempre foi uma espécie de elefante branco para o governo de Santa Catarina.

Até o início da reforma, em 2013, o prédio de 15,7 mil apresentou diversos problemas, como goteiras, fiações expostas e insegurança. A obra só terminou quatro anos depois. Com custo mensal de R$ 382 mil por mês, de acordo com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, a administração da rodoviária, enfim, vai passar para a iniciativa privada.

Faz tempo que o terminal merece mais atenção e um melhor aproveitamento do que foi criado para ser o portão de entrada da Florianópolis. A concessão para a iniciativa privada, proposta pelo governo do Estado, demorou demais para sair do papel. Culpa também da SPU (Secretaria de Patrimônio da União), que adiou por anos a cessão de uso.

O contrato de arrendamento foi assinado no final de julho, liberando assim o uso por parte do Estado, que agora dá o passo inicial para que a iniciativa privada assuma a gestão. A previsão é de que o processo de concessão seja concluído no final de 2021. Em reportagens, o ND alertou para diversas necessidades no terminal.

Comerciantes e funcionários sempre relataram problemas como a falta de segurança e de atrativos para que as pessoas circulem pelo local e não apenas entrem e saiam para embarcar ou buscar um visitante ou familiar.

Na baixa temporada, o movimento chega a 7.000 pessoas por dia, enquanto na alta temporada passam pela rodoviária cerca de 15 mil pessoas. A concessão pode transformar a região do Rita Maria, criando espaço de convivência com o qual todo o cidadão da Capital e da região tanto sonha, sem a necessidade de investimento de dinheiro público.

Mas é necessário pensar também a questão da mobilidade urbana, pois a entrada e saída dos ônibus interestaduais e intermunicipais contribuem para aumentar as tradicionais filas nas pontes e na Via Expressa. Enfim, governo e iniciativa privada têm a chance de transformar aquela área do aterro da baía Sul. Que a rodoviária deixe de ser um espaço ocioso, subutilizado e inseguro.