Contorno: prazos são para ser cumpridos

O Contorno Viário da Grande Florianópolis, previsto para ficar pronto em 2012, ainda está longe de se tornar realidade. A Arteris, concessionária responsável pela BR-101 e pela construção dos 50 quilômetros da via projetada para desafogar o pesado trânsito da rodovia federal no trecho entre Biguaçu e Palhoça, anuncia agora o prazo de 32 meses para concluir a obra. O que a sociedade catarinense e os motoristas que trafegam pela BR-101 esperam é que a Arteris cumpra mais esse prazo, depois de tantos outros não cumpridos nos últimos anos.

O atraso de mais de uma década impacta em diversos fatores. A demora nos deslocamentos e na entrega de mercadorias; as muitas vidas perdidas em acidentes; o impacto direto na economia e na qualidade de vida das pessoas são apenas alguns dos contratempos acarretados pela privação de um contorno viário.

Atraso nas obras, mudanças de empreiteiras, escolha equivocada no traçado, demora nas desapropriações, burocracia, deficiências na fiscalização do contrato de concessão, falha na cobrança dos prazos… os muitos erros cometidos durante as fases do projeto e das obras afetam milhares de motoristas e moradores da Grande Florianópolis.

Projetado em 1998 pelo antigo DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem), hoje Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), o Contorno Viário era para ser construído junto à duplicação da BR-101 Norte.

A Arteris assumiu a concessão da rodovia em 2008, e ficou também com a responsabilidade de executar a obra. O primeiro prazo para a conclusão era 2012. Foi nessa época que começaram os atrasos. Primeiro, a ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestres) estendeu o período de entrega para 2017. Depois, uma sequência interminável de prazos não cumpridos ou prazos futuros.

Para a Grande Florianópolis, a BR-101 se transformou há muito tempo em uma avenida urbana. Além de ser passagem para Rio Grande do Sul e Paraná, o trecho de pouco mais de 60 quilômetros que corta a região é usado diariamente por moradores para deslocamentos de casa ao trabalho, para lazer e compras.

A Grande Florianópolis precisa do contorno, pois cada dia de atraso minimiza o impacto positivo da obra na vida de quem mora entre Biguaçu e Palhoça e de quem transita pela BR-101.

Como destacou a Fetrancesc (Federação das Empresas de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina), os prejuízos oriundos do atraso são imensuráveis. Não há mais tempo a perder, e os prazos precisam ser cumpridos.

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