Covid-19: segundo tempo

A perspectiva de prolongamento da pandemia, por conta da segunda onda na Europa e EUA e novo aumento de casos em alguns Estados brasileiros, aumenta a pressão pela prorrogação das medidas de combate aos efeitos da pandemia, especialmente a ajuda emergencial à população mais vulnerável.

Inicialmente, o pagamento está previsto até dezembro, mas uma das propostas prevê repasses de mais dois auxílios por meio de uma medida provisória a ser baixada pelo governo federal.

O debate envolve a compatibilização de duas questões fundamentais em meio à crise desencadeada pela Covid-19: atenção ao gigantesco impacto social causado pela interrupção das atividades econômicas e preocupação com a gestão das contas públicas.

Com o aumento da taxa de desemprego nos últimos sete meses, o coronavírus escancarou o abismo social brasileiro, realidade que reforça a importância da adoção de políticas públicas voltadas aos brasileiros mais pobres.

É inegável que intervenções estatais – mesmo em países regulados pelo liberalismo de mercado – são instrumentos essenciais para diminuir a desigualdade. Em períodos de calamidade, como esse que vivemos desde março, esses mecanismos adquirem uma dimensão ainda maior.

Por outro lado, há o desafio de manutenção do equilíbrio dos orçamentos públicos, duramente atingidos pela redução drástica da atividade econômica ao longo desse período de enfrentamento da pandemia.

A gestão fiscal, que teve flexibilizações em 2020 tendo em vista a ampliação dos gastos no combate à Covid-19, deve voltar aos trilhos para evitar um rombo administrável a partir do ano que vem e que inviabilize União, Estados e municípios.

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