Crescimento desordenado

Depois de mostrar a ocupação desordenada dos espaços na área central e em bairros nobres de Florianópolis, em reportagem publicada no dia 22 de dezembro, o ND trouxe à tona mais irregularidade sobre a falta de planejamento urbano.

Matéria do repórter Eduardo Cristófoli, da NDTV, na edição do fim de semana deste jornal, revela que um terço da capital catarinense é construída à margem da lei – 33% das ruas apresentam indicativos de irregularidades urbanísticas e fundiárias – e que a clandestinidade não mora só com as famílias de baixa renda, também habita as mansões, como na servidão Beco da Lua, no Porto da Lagoa, que não existe oficialmente. É uma via claramente irregular.

Nenhuma casa dessa servidão teve o projeto aprovado e licenciado pelo município. O Beco da Lua abriga mansões de mais de R$ 2 milhões. Um disparate, uma clara falta de preocupação desses moradores com o planejamento urbano, com o futuro da cidade e com o meio ambiente.

Fica evidente que essas pessoas querem levar vantagem, pois reformas, ampliações e construções seguem acontecendo na servidão. Há até atuação de corretores imobiliários legalizado no Beco da Lua.
O crescimento desordenado coloca em xeque a qualidade de vida e as belezas naturais de Florianópolis. Duas das características que mais atraem turistas e investimentos.

O secretário de Mobilidade e Planejamento, Michel Mittmann, afirma que está na hora de fazer um movimento para “repactuar a cidade e tirar algumas ideologias equivocadas da mesa”. Na verdade, já passou da hora de o poder público executar ações mais contundentes contra essas ocupações irregulares.

O caos urbano está bem visível na maioria das regiões de Florianópolis. São construções erguidas com a finalidade apenas de obter lucro, sem qualquer preocupação com o presente e o futuro da cidade. E devido à burocrática, questionável e lenta adequação da legislação às novas demandas de Florianópolis, hoje a cidade paga o preço da demora na elaboração do novo Plano Diretor.

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