Custa ter bom senso?

Os números podem não ser exatos. Alguns casos podem ter sido confundidos com outras enfermidades, outras ocorrências nem terem sido registradas.

Mas o fato é que quando uma pessoa coloca em xeque a lisura das estatísticas em torno dos números da pandemia está colocando em descrédito o trabalho de milhões de profissionais das mais diversas áreas de todo o planeta e, pior ainda, ignorando a dor das milhões de pessoas que choram as mortes dos mais de 1 milhão e meio de vítimas da Covid-19.

Diante das estatísticas alarmantes e do alerta vermelho que coloca mais de 90% de Santa Catarina em nível gravíssimo, o governo estadual, em comum acordo com os prefeitos, decretou toque de recolher da meia-noite às 5h. A intenção nítida é evitar a circulação na madrugada de quem só quer socializar e se divertir.

O governo ainda precisou emitir nota para esclarecer que não tem objetivo de proibir, mas sim de restringir a circulação de pessoas. Porém, este jogo de palavras confunde e acaba sendo usado de forma maliciosa por aqueles que não querem entenderam o recado e questionam a legalidade e a constitucionalidade da medida. Mas ele é muito simples: se você não tiver nada para fazer na rua, fique em casa. Nada demais querer se divertir.

Mas será que não dá para deixar o egoísmo de lado e respeitar a regra que não está pensando no bem-estar individual, mas no coletivo da toda a população? No fim de semana, dezenas de festas foram flagradas em todo o Estado.

Na Grande Florianópolis, cenas de aglomero na inauguração de um beach clube chamaram atenção e provocaram indignação. Claro que este é só um exemplo entre tantas outras ocorrências do gênero.

O dono do espaço se defende dizendo que tomou todas as precauções de higiene e segurança e limitou o público. E deve ter tomado mesmo. Compreende-se a necessidade do empreendedor em trabalhar.

Mas a pergunta que fica é: Tinha que inaugurar a casa no mesmo dia em que passou a vigorar o toque de recolher? E os frequentadores? Também não sabiam do decreto? Com certeza, o problema não é falta de informação, mas sim de bom senso, o que vem sendo tão exaustivamente pedido e na mesma intensidade, ignorado.

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