Da euforia à frustração

A euforia e a esperança que tomaram conta dos brasileiros nos últimos dias, com a autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para uso emergencial das vacinas CoronaVac e da Oxford/AstraZeneca e com o início da vacinação em pessoas do grupo prioritário, podem acabar em frustração nos próximos dias.

Por enquanto, o Brasil só pode contar com as 6 milhões de doses da CoronaVac produzidas pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, que já foram distribuídas aos Estados. Outras 4,8 milhões de doses estão prontas no Butantan, mas dependem de nova autorização emergencial da Anvisa para serem aplicadas – o pedido foi feito pelo instituto na segunda-feira (18).

A produção do Butantan de mais doses está emperrada, pois está com dificuldade para importar insumos. O principal deles é o IFA, sigla para “ingrediente farmacêutico ativo”, que precisa ser importado da China. E aí entra o problema de relacionamento do governo brasileiro com o país asiático. O impasse diplomático pode atrasar ainda mais o envio do princípio ativo da CoronaVac.

A outra vacina aprovada pela Anvisa, a da AstraZeneca, nem tem previsão para chegar ao Brasil. A Índia, que produz esse imunizante, priorizou o envio aos países vizinhos.

O Brasil esperava receber, esta semana, 2 milhões de doses desse imunizante. Mas o episódio do envio do avião para buscar as vacinas na Índia, sem aquele país ter confirmado a venda, revelou a desorganização do Ministério da Saúde para tratar da compra dos imunizantes.

O Brasil está travado em termos de vacina contra a Covid-19. As seis milhões de dose da CoronaVac atendem pequenos grupos diante de uma população de 210 milhões de habitantes.

O país perdeu muito tempo com a politização do assunto, e agora pode ter sérias consequências. O momento é de unir o país em torno da vacinação, deixar a politicagem em segundo plano e tranquilizar os cidadãos com a tão esperada vacina que representará o fim de uma pandemia que já dura dez meses.

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