É hora de dar o exemplo

Em meio à crise do novo coronavírus, surgiu uma proposta encampada por empresários para a redução dos supersalários de senadores, deputados, ministros de Estado, ministros do Supremo Tribunal Federal e outros funcionários públicos contemplados com altas remunerações. A sugestão ganhou força e se espalha pelo país.

Ontem, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, endossou a proposta, defendendo a redução do salário de funcionários públicos nos Três Poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário, e dos parlamentares. Com a redução dos salários, Maia prevê economia de 15% a 20% por mês na folha de pagamento que atinge um valor de R$ 200 bilhões.

A classe política tem a oportunidade de se redimir perante à sociedade, de dar exemplo cortando na própria carne, pondo fim a privilégios. A pandemia vai trazer consequências graves para a atividade econômica a médio e longo prazo. É preciso que os nossos congressistas dividam com a população o sacrifício que será exigido de todos, empresários, trabalhadores, profissionais liberais e aqueles que sobrevivem na informalidade. Todos, sem exceção, sentirão os reflexos desta crise.

Não é justo que a sociedade pague esta conta sozinha, sem a participação dos poderes, principalmente da classe política. É preciso que nossos congressistas façam um esforço e demonstrem que é hora de sacrifício. É preciso sim cortar os privilégios, reduzir os altos salários, verbas indenizatórias e benefícios como o auxílio-mudança, gastos sem limites para a saúde, entre tantos outros penduricalhos que são uma afronta aos brasileiros.

A iniciativa de Rodrigo Maia, de propor a redução de salários, chamando os outros Poderes, tem o apoio da maioria da população. Em todos os poderes da República gravitam castas de servidores bem pagos, com salários acima da média dos brasileiros que exercem a mesma função na iniciativa privada. É preciso mudar este modelo que abriga, apenas no Congresso, mais de 10 mil servidores.

A classe empresarial, que gera emprego e renda neste país, sabe que a crise do coronavírus, em escala mundial, é uma grave ameaça ao desenvolvimento. Muitas empresas terão dificuldades para honrar seus compromissos, pagar salários e manter seus negócios. Já temos 12 milhões de desempregados e precisamos alavancar a economia. Por isso, nada mais justo que os políticos façam a sua parte, reduzindo os seus ganhos, abrindo mão do milionário Fundo Partidário, transferindo os recursos para que o governo federal utilize na área da saúde.

Há exceções, com certeza, de congressistas que já aderiram à proposta de Maia, conscientes de que o momento exige uma nova postura, um novo compromisso com seus eleitores. Muitos brasileiros, embora tenham confiado o seu voto a novos políticos, consideram que foram traídos. Os deputados e senadores catarinenses precisam dizer sim a este chamamento do presidente da Câmara Federal. A sociedade já não aceita a omissão e o descaso. É hora de dar o exemplo.

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