É preciso mais transparência

Permanece o mistério em torno da compra suspeita de respiradores feita pelo governo catarinense, com pagamento de R$ 33 milhões à vista sem a entrega dos equipamentos. A operação desastrada gerou polêmica na Assembleia Legislativa com pedido de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) e o afastamento do secretário de Estado da Saúde, Helton de Souza Zeferino. O assunto virou caso de polícia.

O próprio governador Carlos Moisés se pronunciou ontem para dizer que
está tomando providências: abriu sindicâncias e entregou o caso para
as autoridades policiais. Havia grande expectativa em torno da fala do governador, frustrada porque fez um pronunciamento e não atendeu perguntas da imprensa.

Tratou do escândalo como se não fizesse parte ou não fosse responsável pelas ações do governo estadual. Deu a entender que nada sabia, que foi surpreendido pela denúncia. É possível, sim. Mas a postura do governador, mais uma vez, não foi transparente. Falou para uma plateia de jornalistas, por meio virtual, sem esclarecer quase nada.

Desde que assumiu, o governo de Carlos Moisés tem sido arredio à imprensa e se comunica com a sociedade por meio de notas oficiais. São poucos os secretários de governo que se dispõem a receber jornalistas ou manter diálogo franco e aberto com os profissionais da comunicação. Dá para contar nos dedos os integrantes do primeiro escalão que estão disponíveis para falar, principalmente quando há denúncias ou problemas. A relação republicana entre o governador e a imprensa não é uma prática levada a sério.

O próprio governador Moisés tem dificuldades para tratar com a
imprensa. Porém, com o surgimento da pandemia tem se colocado à
disposição para cotejar números e relatar o trabalho feito no combate
à doença. Temos de reconhecer que, a partir da Covid-19, este
comportamento evoluiu. O governador não tem fugido de perguntas
incômodas. Mas esta não é uma postura de todo o governo,
infelizmente.

O papel da imprensa é essencial para que o governo se comunique com a sociedade. Não dá para deixar de reconhecer a importância dos veículos neste período de pandemia. Os jornalistas estão a serviço da informação para dar conhecimento público das ações de governo, para o bem e para o mal. Mas quando surgem denúncias ou fatos desagradáveis, as redações são invadidas por notas oficiais. É uma prática nada transparente, porque não permite o diálogo entre o governo e a imprensa, neste caso como representante da sociedade.

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