Educação também é prioridade

A pandemia da Covid-19 tem causado transtornos em áreas que não estão diretamente vinculadas à saúde. O que aconteceu domingo em algumas cidades, durante a primeira etapa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), é algo que merece reflexão. Devido ao iminente risco de contágio, muitos jovens deixaram de comparecer aos locais de provas.

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), autarquia federal ligada ao Ministério da Educação, dos 5,7 milhões de inscritos em todo o país, 51,5% (2,84 milhões) não fizeram a prova. Em anos anteriores, a maior taxa de abstenção foi registrada em 2009, com 37% dos inscritos faltosos.

Apesar dos altos índices de faltas na maior parte do país, em cidades como Florianópolis o que se viu foi confusão e superlotação de salas. Na UFSC, estudantes que chegaram ao local com uma boa margem de antecedência foram impossibilitados de entrar nas salas sob a alegação de que já estavam totalmente ocupadas.

Nesse caso, há uma falha grave na organização. O estudante não tem culpa alguma se a estrutura oferecida pelos organizadores do concurso é ineficaz ou ineficiente.

Estranhamente, esses jovens, que estudaram o ano inteiro para as provas e almejam um futuro melhor com a conquista de uma vaga em uma universidade pública ou uma bolsa de estudos, agora terão seus sonhos adiados.

Essa situação precisa ser revista com urgência e a pandemia não pode ser pano de fundo para uma falha na organização. O presidente do Inep, Alexandre Lopes, garantiu a reaplicação da prova para os jovens barrados em razão da superlotação das salas.

Em 11 locais de provas foram registrados problemas iguais aos de Florianópolis. Fazem parte desta lista Curitiba e Londrina, no Paraná; e Caxias do Sul, Pelotas e Canoas, no Rio Grande do Sul.

Os candidatos prejudicados, segundo o Inep, terão de fazer um novo cadastro no site do Enem, entre os dias 25 e 29 deste mês, e assim se habilitarem para a realização da prova em outra data.

Assim como a saúde, a educação merece atenção dos governantes, pois é a partir dela que o futuro de uma nação se desenha. Contratempos ocorrem e provocam indignação, mas também podem ser evitados e reparados. O primeiro passo é reconhecer eventuais erros e, na sequência, corrigi-los.

 

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