Eleições municipais

O adiamento das eleições municipais de outubro para novembro, promulgado ontem pelo Congresso Nacional, é apenas um paliativo nesta pandemia do novo coronavírus. Transferir o pleito de 4 de outubro para 15 de novembro não foi a decisão mais acertada dos senadores e deputados.

O momento não nos permite ter um evento no qual milhões de pessoas terão que permanecer em longas filas, utilizar os mesmos equipamentos. Enfim, as aglomerações serão inevitáveis, um perigo do contágio em massa. Grande parte da população poderá ficar fora do processo eleitoral, tanto candidatos como eleitores, o que elevaria o número de abstenções não legitimando o pleito.

Afinal, o novo coronavírus ainda é uma ameaça real, os números de casos e mortes divulgados diariamente servem de alerta para que a população continue com todos os cuidados sanitários exigidos pela Organização Mundial da Saúde.

No dia 30 de maio, o Grupo ND, em editorial, defendeu, entre outras questões, a transferência das eleições municipais para 2022, em um pleito unificado, a prorrogação do mandato de todos os prefeitos e vereadores por mais dois anos, para que os governos municipais continuem fazendo a gestão da crise do coronavírus, e o fim da reeleição.

Neste momento os brasileiros estão mais preocupados em manter a saúde e seus empregos do que ouvir discursos de candidatos. Além de destruir vidas e a economia de muitos países, a pandemia estabeleceu novas prioridades. Para os eleitores, a eleição municipal está em último plano, mas para os políticos é prioridade.

A quem interessa esta eleição em meio à pandemia, senão aos próprios candidatos? Para o projeto de poder dos políticos a eleição é fundamental. É uma forma de se perpetuar, mandato após mandato. Eles não se importam em parar o país a cada dois anos com eleições e a reeleição para atender seus interesses político-eleitoreiros.

E foram os políticos que decidiram manter as eleições para este ano. Muitos deles serão candidatos. A nós, eleitores, nos cabe respeitar a decisão do Congresso Nacional, a casa do povo brasileiro.

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