Esquema revelado

A quebra de sigilo solicitada pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e autorizada na manhã de ontem pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, trouxe mais luz ao desastrado processo de compra pelo governo do Estado de 200 respiradores por R$ 33 milhões, com pagamento antecipado e sem garantias de recebimento dos equipamentos.

As investigações identificaram fraude no processo, num “sofisticado” esquema criminoso que envolveu a corrupção de agentes públicos, falsidade ideológica em documentos oficiais, criação de empresas de fachada e lavagem de dinheiro. As irregularidades, denunciadas pela imprensa, já estavam comprovadas, mas faltava entender como o esquema da compra irregular foi organizado pelos envolvidos.

O MPSC pediu a prisão temporária de oito pessoas por constatar participações na negociação. Entre eles está o ex-secretário da Casa Civil, Douglas Borba, que no domingo apresentou o pedido de exoneração ao governador Carlos Moisés. Conforme apuração do Ministério Público, Borba atuou “nos bastidores” da contratação da Veigamed, “utilizando sua influência e prestígio do cargo”.

Na semana passada, após a servidora Márcia Pauli ter relatado, em entrevista ao Grupo ND, pressões internas e falhas no trâmite da compra dos respiradores, o ex-secretário negou qualquer envolvimento no processo de negociação com a Veigamed.

Ainda segundo as investigações, Borba teria indicado o empresário fornecedor de equipamentos hospitalares. Depois de concretizada a transação, teria indicado pessoa da sua confiança para fazer contato com a servidora Márcia Pauli.

O objetivo era avalizar o negócio e assegurar que os produtos seriam entregues, para manter o negócio vigente e cujos recursos já haviam sido transferidos. O ex-secretário precisa dar muitas explicações. Assim como o governador. Apesar de ter sido isentado pelo MPSC de qualquer envolvimento na compra dos respiradores, Moisés precisa se posicionar sobre o assunto. Até agora, só fugiu do tema.

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