Estilo Moisés

Desde que assumiu o governo há um ano e sete meses o govenador Carlos Moisés da Silva (PSL) imprimiu estilo próprio para administrar o Estado. Uma das primeiras decisões administrativas foi vender o avião que servia o governo e chegou a ensaiar viagens a Brasília em voos comerciais.

Ao receber 71% dos votos dos catarinenses embalado pela onda Bolsonaro, Moisés decidiu se distanciar da velha política, da pressão das classes empresariais e da imprensa. Preferiu trabalhar na residência oficial, na Casa d´Agronômica, onde reside com os familiares. Somente agora, após a crise do impeachment, começou a despachar no Centro Administrativo, a sede do governo.

Contrariando o discurso de transparência, não permitiu a divulgação de compromissos de sua agenda nos fins de semana. Não falou com a imprensa, não recebeu parlamentares, não dialogou com as classes produtoras e não saiu a campo para conhecer o Estado que recebeu para governar.

Este isolamento custou caro ao governador Moisés, que hoje tenta recuperar o tempo perdido, porque não interagiu com a sociedade e tem sido alvo de críticas severas de prefeitos e lideranças de todos os segmentos.

Conforme levantamento revelado pelo jornal ND e publicado nesta edição, em 19 meses de seu governo, Carlos Moisés visitou apenas 50 municípios, permanecendo grande parte do tempo em Florianópolis. A cidade mais visitada por Moisés, segundo o Portal da Transparência, foi São José, distante pouco mais de 10 quilômetros do Centro Administrativo.

Em raras ocasiões o governador dormiu fora de casa e a sua escassa agenda mostra que, caso mantenha o ritmo atual, terminará o mandato sem conhecer as 295 cidades catarinenses. Por falta de informações oficiais, porque a agenda não é divulgada, nos fins de semana Carlos Moisés prefere se dedicar à família e aos amigos na Casa d´Agronômica.

Durante as últimas cinco décadas, os governadores catarinenses tiveram uma agenda lotada, com dedicação exclusiva e integrar à gestão política e administrativa, percorrendo os quatro cantos do Estado, ouvindo lideranças empresariais, a população e conhecendo a realidade junto do cidadão, suas necessidades e pleitos, dando satisfação à sociedade por meio da imprensa.

Ex-governadores foram a Brasília e ao exterior buscar recursos e investimentos. Este modelo de gestão transformou Santa Catarina num Estado de excelência. O jeito de governar de Carlos Moisés contrasta com o estilo dos antigos ocupantes do Executivo Estadual.

A dúvida é se este modelo será bem-sucedido. Se o atual governador conseguirá terminar seu mandato com realizações. Enfim, que legado deixará aos catarinenses após deixar o Centro Administrativo.

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