Falta de aulas refletirá em 2038

Não há ninguém no planeta que não tenha sido afetado pelo coronavírus. Os impactos, em cada pessoa ou em cada segmento da sociedade, necessitam de boa dose de esforço e muita persistência para serem minimizados e superado.

No momento, em especial na Grande Florianópolis, a suspensão das aulas presenciais tem sido alvo de debates em torno da medida tomada na segunda-feira, inicialmente pelos 22 prefeitos da região. No meio do caminho, alguns desistiram, outros atenderam a decisões judiciais, e em algumas cidades as aulas foram retomadas.

Estudo da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia divulgado ontem aponta que o fechamento das escolas na pandemia terá impacto profundo e de longa duração – cerca de 15 anos – sobre a economia brasileira.

Segundo a secretaria, o impacto será sentido no PIB (Produto Interno Bruto), que representa a soma de todas os bens e riquezas produzidos no país, no aprendizado e produtividade do trabalho e no aumento na desigualdade social, já que o acesso ao ensino remoto, ofertado em substituição às aulas presenciais, é distinto, de acordo com as faixas de renda da população.

A secretaria considera que os efeitos podem se estender até o fim de 2022, resultando em um hiato de três anos na educação de grande parcela da população que tem entre cinco e 20 anos. Um prejuízo de dimensões incalculáveis.

Uma das alternativas seria cobrir esse hiato com anos adicionais de estudo após o fim da pandemia. Mas o efeito de se postergar por três anos a entrada dos jovens no mercado de trabalho também é considerado ‘dramático’.

De acordo com o boletim, esse efeito deve durar possivelmente até 2038, até que toda essa parcela da população atingida com a paralisação das aulas entre no mercado de trabalho. Portanto, conclui o estudo, escolas fechadas hoje causam um país mais pobre amanhã, e por quase duas dé-cadas. Ainda mais porque o ensino remoto como substituto do ensino presencial está longe de ser um substituto perfeito.

Anteontem, famílias da Capital fizeram carreata pedindo o retorno das aulas. Ontem, a prefeitura revelou que pelo menos 60 escolas da Capital, públicas e privadas, registraram casos de Covid-19. São 207 casos confirmados, com 23 escolas com surtos ativos.

Neste momento, acredita a prefeitura, a suspensão das aulas presenciais pode contribuir com a rápida redução destes números, interrompendo as cadeias de transmissão no ambiente escolar. Os trabalhadores da educação já foram reconhecidos pelo Ministério da Saúde como grupo prioritário para vacinação, mas ainda não há data para que possam ser protegidos.

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