Férias do governador

O governador Carlos Moisés da Silva (PSL) decidiu tirar férias em Laguna, por 14 dias, provocando nova polêmica nos meios políticos e jurídicos. Afinal, governador tem direito a descansar depois de um ano de mandato? Todos entendem que sim, até porque seus antecessores também o fizeram. O que está em discussão é o fato de o governador estabelecer uma nova regra para a sucessão no governo. Mesmo permanecendo no território catarinense, mais precisamente em Laguna, decidiu empossar sua vice Daniela Reinehr no cargo de governadora.

Nossa Constituição estabelece a que o governador pode se ausentar do cargo para viagens ao exterior ou por motivos de saúde. Neste caso, comunica a Assembleia Legislativa e dá posse ao novo governador. Assim fizeram Luiz Henrique da Silveira e Raimundo Colombo, só para recordar exemplos recentes. Mas o governador Moisés quebrou esta regra, com questionamentos sobre a regularidade do seu ato. Não em relação a se ausentar do poder, mas por legitimar Daniela Reinehr como governadora.

No período de tempo que permanecer no Sul do Estado, Carlos Moisés da Silva continuará sendo o governador dos catarinenses. Pelo fato de dar posse à Daniela, criou uma situação inusitada: Santa Catarina passou a ter dois governadores – um em férias e outro em exercício. Pelo menos este é o entendimento de alguns juristas consultados por este jornal. Existe o risco de que todos os atos da governadora, neste período, possam ser considerados nulos. Desde que assumiu, Carlos Moisés impôs o seu estilo de governar, o que é legítimo. Mantém-se mais distante e reservado, na Casa d´Agronômica, onde prefere despachar.

Viaja pouco, nos finais de semana sua agenda é desconhecida, é criticado pela falta de diálogo com lideranças políticas e empresariais e pelo seu afastamento da imprensa. Este novo estilo causa estranhamento. Até porque tivemos governadores que acordavam cedo, viajavam todos os finais de semana, percorrendo os quatro cantos do Estado, em contato direto com as pessoas. Ainda retemos na memória o entusiasmo e o arrojo de um Luiz Henrique da Silveira, um animador do desenvolvimento regional. A seriedade e o estilo conciliador de Raimundo Colombo.

O governador Carlos Moisés não é um servidor comum. Foi eleito para o mais alto cargo da administração, trabalhou para isto no segundo turno, fez campanha, discursos, disputou votos. Talvez não soubesse antes os desafios que teria de enfrentar. Não imaginou que sua missão seria tão espinhosa e que o cargo que ocupa exigiria dele doação e envolvimento em detrimento de seu tempo, de sua família e do seu lazer. E que até as suas férias seriam motivo de tamanha discussão.

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