Festival de erros e de impunidade

A denúncia de que 26 mil doses de vacinas contra a Covid-19 supostamente vencidas foram aplicadas em 1.532 cidades brasileiras reforça a dificuldade que gestores públicos e políticos têm de lidar com as questões essenciais para a sociedade.

Os registros de aplicação da vacina da AstraZeneca serão analisados pelas secretarias de Saúde dos municípios. Ministério da Saúde e Estados afirmam ter distribuído os lotes dentro do prazo. O ministério acrescentou que o prazo de validade dos imunizantes é rigorosamente acompanhado desde o recebimento até a distribuição.

Já as prefeituras negam aplicações irregulares e afirmam haver erros de registro. Alegam que há divergências no preenchimento de dados no sistema eletrônico do SUS (Sistema Único de Saúde). Esses dados, conforme as administrações municipais, no início da campanha de vacinação demoravam até dois meses para chegar ao Ministério da Saúde.

Em Santa Catarina, onde teriam sido aplicadas 653 doses de vacinas vencidas em 49 cidades, a Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina) informou que boa parte dos casos se trata de erro nos registros. E orientou os municípios a investigar caso a caso.

A investigação pelos órgãos responsáveis é o mínimo que se espera neste momento tão difícil para a população brasileira. Se houve irregularidades ou não, será quase impossível ter conhecimento. Na pandemia, os últimos exemplos de ilegalidades são desanimadores. Denúncias de supostas compras fraudulentas de respiradores, máscaras, vacinas e equipamentos ou não deram em nada ou ainda estão sendo investigadas. Dificilmente alguém é punido.

A sociedade, que por décadas sofreu calada ou com a voz sufocada pelos “poderosos” políticos, não pode mais ficar refém do desleixo ou da má-fé dos administradores do dinheiro público. Quem se propõe a representar o povo, por meio de eleição, ou exerce algum cargo público, deveria dar o exemplo. O bom exemplo.

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