Fome de dinheiro público

A sanha de senadores e deputados federais por dinheiro público não tem limite. Ontem, mais uma vez, os esfomeados pelo dinheiro do contribuinte mostraram de que lado estão.

A Comissão Mista de Orçamento aprovou o relatório da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2022, que prevê o direcionamento de gastos, previsão de arrecadação e medidas econômicas da União.

Na comissão, deputados e senadores aprovaram a destinação de R$ 5,7 bilhões para o fundo eleitoral, o triplo do valor destinado aos partidos nas eleições de 2018.

Mais tarde, em votações nos plenários da Câmara e do Senado, novas aprovações. Esses políticos esquecem que ainda estamos na pandemia, que a economia brasileira está patinando na tentativa de reagir e que os gastos públicos são muito altos.

A proposta dos R$ 5,7 bilhões provocou críticas de alguns parlamentares. Uma das vozes contrárias foi da deputada Adriana Ventura (Novo-SP): “Campanha tem que ser bancada por apoiadores e por filiados de partidos que bancam as campanhas e esses candidatos”.

Os recursos do fundo, que são públicos, são divididos entre os partidos políticos para financiar as campanhas eleitorais. A insistência de determinados políticos por mais dinheiro só contribui para enlamear a imagem da política e do Congresso Nacional perante à opinião pública.

A cada atitude como esta, fica mais difícil a população acreditar numa mudança de conceito e no modo de operar da classe política brasileira.

O que deveria estar sendo discutido neste momento seria o projeto da construção de um modelo sem a oferta de dinheiro público, inclusive com redução também das despesas de campanha, para que as candidaturas fossem custeadas por apoiadores e empresas privadas.

Velhas práticas na política brasileira, como essa da destinação de dinheiro público ao fundo eleitoral, já deveriam ter ficado no passado. Verbas públicas precisam ser utilizadas nas grandes necessidades do país, como segurança, saúde e educação.

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