Fundo Partidário: a farra dos políticos

A mais recente análise do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre as prestações de contas dos partidos políticos de 2015, divulgada ontem neste ND em reportagem do Estadão Conteúdo, mostra como agem os caciques das siglas.

Apesar do julgamento das contas ser de sete anos atrás, é revoltante saber que parte do dinheiro público repassado aos partidos foi utilizada para bancar itens de luxo, festas, reformas em imóveis de dirigentes, viagens injustificadas e pagamentos em duplicidade e honorários para advogados de réus da Lava Jato. Também há indícios de falsidade ideológica.

De cada R$ 10 recebidos pelos partidos de dinheiro público em 2015, R$ 1 foi gasto de forma questionável, conforme a Justiça Eleitoral. Pode-se dizer que é uma verdadeira farra com o dinheiro da população.

O Fundo Partidário foi criado em 1995 para bancar despesas cotidianas dos partidos, como contas de luz, água e salários e é formado por uma mistura de dinheiro público e privado que vem de arrecadação de multas, penalidades pagas por partidos políticos, doações de pessoas físicas e um montante definido todo ano através da Lei Orçamentária.

Em 2015, o valor aprovado foi de R$ 867,5 milhões, o triplo do que foi repassado em 2014, R$ 289 milhões. Em 2021, os partidos receberam R$ 939,1 milhões. Fora tudo isso, ainda tem o famigerado Fundo Eleitoral, com previsão para este ano de R$ 5,7 bilhões.

O Fundão foi criado em 2017 para bancar as despesas de campanhas eleitorais, compensando assim o fim do financiamento privado – determinado pelo STF em 2015. Com toda essa mamata, é fácil entender porque até hoje não se fez a tão esperada reforma política no Brasil.

Os políticos não têm interesse em promover o desapego do dinheiro público, pois utilizam, em muitos casos, sem ter que prestar contas. Infelizmente a farra vai continuar. E do jeito que os políticos gostam, cada vez mais distantes da sociedade.

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