Greve fora de hora

Mais uma vez, o Sintrasem (Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Florianópolis) agiu para prejudicar a população ao levar os funcionários da Comcap (Autarquia de Melhoramentos da Capital) a fazer a segunda greve do ano, essa em meio à pandemia.

Totalmente fora de hora, despropositada. Florianópolis ficou mais de 30 horas sem coleta de lixo e sem o serviço de sanitização, importante ação no combate ao novo coronavírus.

Neste momento, de crise mundial, com desemprego batendo à porta e redução de salários, é injusto paralisar 100% um serviço essencial alegando perdas de direitos, quando na verdade o que ocorreu foi a suspensão de benefícios, os chamados “penduricalhos” que incrementam os salários dos servidores. A suspensão ocorreu devido ao contingenciamento de despesas do município.

O sindicato também reivindica a discussão de reajuste salarial, o que é proibido por lei federal que concedeu auxílio financeiro do governo federal a Estados e municípios. Uma das exigências da lei é congelamento dos salários dos servidores. Reivindicações imprudentes. Paralisação que deixou em risco os moradores de Florianópolis. É um problema recorrente da Comcap, que se tornou refém do sindicato.

É inegável que os serviços prestados pela Comcap são excelentes, há uma dedicação intensa dos funcionários que trabalham na limpeza das ruas e na coleta de lixo. Mas a cada paralisação ou greve incentivada pelo sindicato, o prejuízo é certo.

Esse prejuízo é calculado diante do pagamento de horas extras para garis e motoristas que trabalham para compensar os roteiros que deixaram de ser cumpridos. Em 2019, ocorreram 14 assembleias promovidas pelo sindicato, com tentativas de greve, e duas paralisações. Em 2018, os serviços foram interrompidos seis vezes.

Enquanto não caminhar para a terceirização da autarquia, a cidade ainda permanecerá à mercê das ameaças constantes de greve, muitas delas sem sentido. Como essa última.

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