Greve não combina com pandemia

O Brasil vive uma nova ameaça de paralisação dos caminhoneiros. Uma nova greve nacional vem sendo articulada pela categoria para o dia 1º de fevereiro.

Inadmissível que, em meio à pandemia e ao início da tão esperada vacinação contra a Covid-19, essa classe de trabalhadores, tão importante para o país como diversas outras, esteja articulando uma greve que pode paralisar o Brasil, assim como ocorreu em 2018, entre os dias 21 e 30 de maio.

Dez dias que foram catastróficos para a economia, que pararam serviços como fornecimento de combustíveis e distribuição de alimentos e insumos médicos, levando o país à beira do colapso. Toda greve de transporte tem efeitos perversos porque detona uma cadeia de perdas.

A paralisação em 2018 foi um ato de autoritarismo irresponsável dos caminhoneiros, que cometeram uma série de ilegalidades: motoristas não puderam trafegar nas rodovias; caminhoneiros que não aderiram à greve foram forçados a parar; o abastecimento de itens como combustível, água e alimentos, praticamente ficou interrompido, provocando dificuldades para a sociedade, inclusive as forças de segurança e hospitais.

Desta vez, a categoria discute uma pauta que vai desde manifestações contra o projeto BR do Mar (que incentiva a navegação pela costa brasileira) ao piso mínimo do frete e reclamações contra a política de preços de combustíveis.

Os caminhoneiros alegam que até agora não foram recebidos pelo governo federal, por isso articulam a paralisação. Não se questiona aqui a greve, mas o momento inadequado para isso.

A greve, afinal, é um direito constitucional. A Constituição de 1988 dispõe em seu art. 9º: “É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender”.

As últimas tentativas de greve da categoria não vingaram por rachas entre as diversas entidades representativas no país. Não há um consenso entre os trabalhadores, que deveriam, neste momento, pensar nas pessoas que precisam de remédios, de alimentos, de combustíveis, da vacina… Nada justifica a paralisação de uma atividade essencial como essa durante a pandemia. Vamos torcer para que o bom senso prevaleça e as reivindicações sejam resolvidas com diálogo em uma sala de reuniões, e não nas estradas.

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