Greve vergonhosa

Nada justifica que milhares de crianças continuem sendo prejudicadas em Florianópolis pela falta de ensino na rede municipal há 14 meses – exatos 428 dias.

A postura intransigente do sindicato da categoria colocou a capital catarinense num ranking vergonhoso: é a única cidade entre todos os municípios catarinenses onde os professores estão de braços cruzados, ganhando seus salários em casa, sem trabalhar. Em quase todo o mundo, a volta à escola é hoje uma realidade.

Mas Florianópolis é uma exceção, mesmo em nível nacional. Há movimentos grevistas em quatro capitais, mas os professores estão ministrando aulas à distância. Aqui, nem aulas presenciais, nem remotas.

A justiça considerou que a greve não é ilegal. Foi a senha para que o sindicato endurecesse o jogo e mantivesse exigências absurdas, alegando falta de condições para aulas por conta da Covid-19. A greve não é dos professores, mas do sindicato que aprovou a paralisação com apenas 9,6% dos votos da categoria.

Pais de alunos não foram ouvidos e a opinião de médicos e especialistas sobre o baixo risco de contaminação não foi levada em conta. O argumento para a greve é de que não há segurança para os professores.

Uma justificativa que seria plausível até certo ponto, embora o governo do Estado tenha anunciado a data para o início da vacinação dos professores para o fim deste mês. Porém, este argumento cai por terra quando os professores que aderiram se negam a até mesmo a dar aulas de forma virtual. Que risco estarão correndo em frente à tela de seus eletrônicos?

O sindicato prossegue seu movimento a despeito da vontade de muitos professores vocacionados – e são a maioria – que desejam estar em sala de aula. Desrespeita a vontade de pais e mães de alunos e do poder público que já garantiu todos os protocolos e medidas de proteção que vão além do álcool em gel e do distanciamento social.

Não é de se estranhar que apenas em Florianópolis uma greve de professores se prolongue por tanto tempo, porque parte da população vive do Estado nas esferas municipal, estadual e federal. São verdadeiras castas de servidores que lutam por mais privilégios protegidos pela estabilidade de emprego.

A decisão de manter os braços cruzados é uma atitude irresponsável, um verdadeiro crime. Não é possível que seus dirigentes não avaliem os enormes prejuízos que estão causando à sociedade.

Se lugar de criança é na escola, em Florianópolis esta deixou de ser uma verdade. Tudo por culpa e responsabilidade de um sindicalismo radical e ideológico que não representa a maioria dos profissionais da educação. Um sindicato que não se adaptou à nova realidade da pandemia. Lamentável que a greve afaste das salas de aulas crianças que querem estudar e professores que desejam ensinar.

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